Cheinho
Ela vivia me chamando para ir até a casa dela me apresentar a seu Pai, dizia que estava difícil a gente namorar sem consentimento dele e tre le le...então eu fui, mas já sabia que não ia dar certo e dito e feito, o homem que tinha uns 80 anos realmente não foi com a minha cara, acho que ele era meio preconceituoso sei lá.
Eu tentava fazer tudo certinho e conquistar o velho, comecei inclusive a tomar chimarrão só pra ficar mais próximo, mas estava difícil, ele ficava arredio, desconversava, saía de mansinho e só reaparecia depois que avisavam que eu tinha ido embora.
Só me dava atenção quando eu perguntava sobre coisas do passado histórico da cidade, pessoas ilustres de antigamente e então ele desatava a falar dos tempos idos, das pessoas, dos lugares, dos políticos e então, depois de achar o fio da meada eu dava trela.
Eu era sócio de um clube aqui em Curitiba ( não vou falar o nome) e um dia alegando que lá encontraríamos amigos do seu passado , coloquei o homem no meu carro e o levei comigo até o clube e como ele tinha dificuldade para andar eu o apoiava com o braço. Infelizmente naquele dia não haviam muito velhos perambulando por lá, mas fizemos um passeio e pouco antes de irmos embora paramos no bar do clube ( ao ar livre) ele tomando um refrigerante e eu uma cerveja, foi quando ele perguntou:
- Você sabe se tem um banheiro aqui por perto? ( já se levantando)
- Tem sim é logo ali (disse eu, apontando )
- Tão longe ?
- É o único amigo, mas eu te ajudo, vamos lá! ( e amparei o homem)
- Ta bom.
Já quase na porta do banheiro ele parou e me olhando fixamente nos olhos disse: -
- Foi longe demais!
- Como ? ( eu não entendi nada)
- Foi longe demais, eu to cheinho...vamos mais devagar que é pra não escorrer pela calça!
- Como?
- Eu me caguêi sua Anta.., vamos devagar que é pra mérda não cair e escorrer pela minha perna – Carralho!. (estava enfezado, vermelho e gritava comigo)
Eu não agüentei, juro que tentei, tive até uma dor no peito por querer segurar,meus olhos começaram a lacrimejar e tive que soltar o homem e cair num acesso de gargalhada, e ele parado lá...me olhando incrédulo dizendo:
- Você realmente é um mérda ! (me apontando com dedo em risque)
- Você que se cága todo e eu é que sou um mérda ? ( eu estava me contorcendo de rir)
- É um bósta e não serve pra minha filha...seu porqueira! ( parado movendo só os braços...)
- Desculpe amigo, mas é engraçado , não é por maldade.....quá...quá quá....
- Se não me levar agora ao banheiro seu carro é que vai ficar engraçado ...(gesticulando)
Enfim eu levei o homem ao banheiro, mas fiquei do lado de fora...o cheiro era horrível e a minha crise de riso estava se transformando em crise nervosa só de pensar que EU deveria levar ele de carro de volta pra casa...ou então chamar um táxi...(aí eu não agüentava e voltava a rir novamente da situação)...foi quando ele apareceu na porta do banheiro só com a cabeça pra fora e disse.
_Traga uma sacola de plástico para eu colocar minha cueca que vou levar pra minha esposa lavar !
Aí eu não agüentei e me mijei todo de rir da cara do homem, e ele gritava:
- Seu Caspita...me dê logo a sacola.....sua Anta!...Animal !
Aquele namoro durou pouco mesmo.
Pode?
Porque um Blog?
Alguns amigos me perguntam sobre o que estou escrevendo no momento?
Escrevi durante algum tempo para o Jornal do Estado (Curitiba/Paraná), para alguns Jornais e Revistas Técnicos escrevia matérias tambem técnicas ( Seguro em Foco foi um deles).
Mas o que estou escrevendo no momento são crônicas, se é que posso rotula-las com este título!.
Na verdade um pouco de verdade e um pouco de fantasia sobre a verdade.
O Livro está praticamente pronto, daí: No Prelo!.
Vou postar aqui algumas dessas pequenas estórias e conto com a compreensão dos amigos, sobre meus erros e lapsos ( que não são poucos).
Bem sei que de boas intenções, está ladrilhada a estrada que leva ao inferno, contudo...Como quem está na chuva pretende se molhar.
Adoraria receber de algum amigo uma toalha bem felpuda.
Rodolpho.
Escrevi durante algum tempo para o Jornal do Estado (Curitiba/Paraná), para alguns Jornais e Revistas Técnicos escrevia matérias tambem técnicas ( Seguro em Foco foi um deles).
Mas o que estou escrevendo no momento são crônicas, se é que posso rotula-las com este título!.
Na verdade um pouco de verdade e um pouco de fantasia sobre a verdade.
O Livro está praticamente pronto, daí: No Prelo!.
Vou postar aqui algumas dessas pequenas estórias e conto com a compreensão dos amigos, sobre meus erros e lapsos ( que não são poucos).
Bem sei que de boas intenções, está ladrilhada a estrada que leva ao inferno, contudo...Como quem está na chuva pretende se molhar.
Adoraria receber de algum amigo uma toalha bem felpuda.
Rodolpho.
sexta-feira, 20 de março de 2009
quinta-feira, 19 de março de 2009
25 Direitos Reservados
Direitos Reservados.
Não entendo muito bem o que sejam os tais Direitos Reservados. As vezes me parece que sejam os direitos que foram reservados para as pessoas que chegaram antes, tipo em Restaurantes..., quando alguém chega antes e então colocam aquela plaquinha “ Reservado”., ou então quando a gente quer ir ao banheiro e pergunta- Poderia informar onde fica o reservado?
Por outro lado poderia ser até alguns direitos que reservaram para a pessoa, tipo: Direito de ir ao Reservado, e portanto quem chegar antes deverá aguardar até que o direito esteja novamente em disponibilidade de reserva. Pode também ser aquele direito que está reservado por alguma pessoa ( tipo aquela que chegou antes) e pediu: Voltarei mais tarde, mas deixe o banheiro reservado pra mim entre as 20 e 24 horas, que irei utilizar...
Ou será que o banheiro do lado “Direito” esteja reservado e que deveremos utilizar somente o esquerdo?...nunca ví nenhuma plaquinha dizendo : “Esquerdo” Reservado ( ou seria Sinistro reservado?), e nem o “Meio” Reservado...enfim, nunca reservaram um direito ou mesmo esquerdo pra mim, afinal quando preciso usar, sempre tem alguém que chegou antes e está ocupado.
E se não ocorrer reserva ?, é possível somente ocupar?...tipo: Direito Ocupado...acho que também nunca vi uma plaquinha dizendo Direito Ocupado, mas já vi banheiro ocupado. Enfim, muitas vezes parece que no Brasil, algumas pessoas reservaram o direito pra si mesmas, têm direito a tudo, fórum especial, cela especial, liberdade especial, banheiro especial.....realmente não sei bem o que seria Direito Reservado.
É um tal de Fórum privilegiado pra cá – Segredo de Justiça pra lá – Lugar reservado para idosos, Gestantes, Deficientes, Portadores de necessidades especiais, Mulheres com crianças de colo, integrantes do movimento dos Sem teto, crianças em fase de adoção, pessoas beneficiadas pela delação premiada e por aí vai.
Realmente não entendo, á pouco premiada seria apenas a telesena ou a raspadinha, e portadores de necessidades especiais seriam aqueles que por exemplo não podem comer coisas com lactose ou glutem.
Neste país parece que as coisas ou os direitos se invertem, se você mora em uma casa e ela é invadida, voce se esgoela e grita SOCOOOOORRRO.....SOCOOOOOORRRO e vai correndo até a polícia e reclama da invasão e apanha um pouco até provar que focinho de porco não é tomada e então a casa é invadida novamente, porem desta feita por policiais que colocam os invasores ( os primeiros) pra correr.
Porem se estes invasores forem pessoas com bonés e camisetas vermelhas e nestes estiver escrito MST pronto...não tem jeito, você deverá entrar na justiça e pedir Reintegração de Posse, depois deverá tentar fazer com que este pedido de reintegração de posse seja aceito pelo Juiz, que deverá autorizar a que o Delegado mande policiais até a sua casa, não sem antes o Delegado conseguir um Advogado especialista em Direitos Humanos para fazer o acompanhamento, e o Advogado então também conseguir um Cinegrafista Profissional e devidamente inscrito como perito do Instituto Médico Legal para fazer o registro áudio visual da reintegração de posse que comprove que novamente os Direitos foram reservados.
Realmente torno a dizer, não entendo o que sejam realmente os tais Direitos reservados.
Pode?
Não entendo muito bem o que sejam os tais Direitos Reservados. As vezes me parece que sejam os direitos que foram reservados para as pessoas que chegaram antes, tipo em Restaurantes..., quando alguém chega antes e então colocam aquela plaquinha “ Reservado”., ou então quando a gente quer ir ao banheiro e pergunta- Poderia informar onde fica o reservado?
Por outro lado poderia ser até alguns direitos que reservaram para a pessoa, tipo: Direito de ir ao Reservado, e portanto quem chegar antes deverá aguardar até que o direito esteja novamente em disponibilidade de reserva. Pode também ser aquele direito que está reservado por alguma pessoa ( tipo aquela que chegou antes) e pediu: Voltarei mais tarde, mas deixe o banheiro reservado pra mim entre as 20 e 24 horas, que irei utilizar...
Ou será que o banheiro do lado “Direito” esteja reservado e que deveremos utilizar somente o esquerdo?...nunca ví nenhuma plaquinha dizendo : “Esquerdo” Reservado ( ou seria Sinistro reservado?), e nem o “Meio” Reservado...enfim, nunca reservaram um direito ou mesmo esquerdo pra mim, afinal quando preciso usar, sempre tem alguém que chegou antes e está ocupado.
E se não ocorrer reserva ?, é possível somente ocupar?...tipo: Direito Ocupado...acho que também nunca vi uma plaquinha dizendo Direito Ocupado, mas já vi banheiro ocupado. Enfim, muitas vezes parece que no Brasil, algumas pessoas reservaram o direito pra si mesmas, têm direito a tudo, fórum especial, cela especial, liberdade especial, banheiro especial.....realmente não sei bem o que seria Direito Reservado.
É um tal de Fórum privilegiado pra cá – Segredo de Justiça pra lá – Lugar reservado para idosos, Gestantes, Deficientes, Portadores de necessidades especiais, Mulheres com crianças de colo, integrantes do movimento dos Sem teto, crianças em fase de adoção, pessoas beneficiadas pela delação premiada e por aí vai.
Realmente não entendo, á pouco premiada seria apenas a telesena ou a raspadinha, e portadores de necessidades especiais seriam aqueles que por exemplo não podem comer coisas com lactose ou glutem.
Neste país parece que as coisas ou os direitos se invertem, se você mora em uma casa e ela é invadida, voce se esgoela e grita SOCOOOOORRRO.....SOCOOOOOORRRO e vai correndo até a polícia e reclama da invasão e apanha um pouco até provar que focinho de porco não é tomada e então a casa é invadida novamente, porem desta feita por policiais que colocam os invasores ( os primeiros) pra correr.
Porem se estes invasores forem pessoas com bonés e camisetas vermelhas e nestes estiver escrito MST pronto...não tem jeito, você deverá entrar na justiça e pedir Reintegração de Posse, depois deverá tentar fazer com que este pedido de reintegração de posse seja aceito pelo Juiz, que deverá autorizar a que o Delegado mande policiais até a sua casa, não sem antes o Delegado conseguir um Advogado especialista em Direitos Humanos para fazer o acompanhamento, e o Advogado então também conseguir um Cinegrafista Profissional e devidamente inscrito como perito do Instituto Médico Legal para fazer o registro áudio visual da reintegração de posse que comprove que novamente os Direitos foram reservados.
Realmente torno a dizer, não entendo o que sejam realmente os tais Direitos reservados.
Pode?
sexta-feira, 6 de março de 2009
24 Injeção.
Injeção.
- Mais forte do que as armas científicas atuais...supera o impossível..., domina o mundo da quarta dimensão e luta pela paz e pela justiça...Nacionarooooo Roooodolpho...ZAZZZ!
E assim, eu devidamente trajado com capa feita de toalha de banho e equipado com meu pára-quedas especial de guarda chuva, me joguei de cima do telhado da cozinha e caí em cima de um arvoredo que minha mãe tentava fazer crescer, mas que não contava com a minha ajuda , restando escoriações causadas pelos galhos da arvorezinha, um ferimento de 6 pontos na perna, causado por uma cerquinha que protegia a arvorezinha e uma bunda dolorida causada pela incompreensão de minha mãe.
- Seremos todos transformers., faremos do mundo um Claybom Cremoso, nada poderá nos deter, nem a chuva, nem o frio, nem o cansaço nem o sono!
Eu passava os dias e tardes nestas batalhas imaginárias, ou em escavações que fazia por todo o quintal á procura de um poço de petróleo ou de uma jazida de diamantes ou ainda então , quando estava com meus amiguinhos pegava quase todas as facas da cozinha de casa e municiava a minha tropa que integrava meu batalhão de expedição de desbravadores pelo mundo perdido dos Bandeirantes Guaporés.
Acompanhado também de meu fiel escudeiro Silver (meu cão Bob) e empunhando a minha espada de Liga da Justiça Estelar, bradava: Tander...Tander...Tander...Ohhhhh, e da-lhe surra no pé de banana: Pithhhhhh com minha pistola de raio laser...Pou...Pou...Pou nos bandidos assaltantes de carruagem dos dinheiros da rainha da inglaterra e de outras nações amigas.
Fazia aros ou amarrava latas e saia por aí a correr conduzindo minhas rodinhas ou pneus fazendo alvoroço: RRRRRRR.....RRRRRRR.....FRIIIIIIII ( nas curvas), subia nas arvores como macaco e no mato eu era o Jim das Selvas , á menos que estivesse empunhando um arco e flechas feito com o que restou de algum guarda-chuvas, ou ainda assoprando bolinhas colhidas de algumas arvores usando pedaços da antena de televisão como canudo para atirar o dardo fatal.( a minha mãe me cobrou as antenas até os meus 40 anos).
Maria mole no cone de casquinha que escondia algum brinquedo ou bechiga, doce de abóbora em formato de coração e o Pedro Bó ? quem não lembra dele? Suspiro cor de rosa com bolinhas coloridas enfeitando, paçoca farelenta que virava um nada na mão da gente, doce de leite com duas cores, uma era doce de leite e a outra, alguma coisa também parecida com ele...uma delícia.
Quebra queixo tirado com martelo, piruá do carrinho, raspadinha de menta, algodão feito na hora naquela máquina esquisita que eu ficava horas tentando decifrar como aquilo acontecia ( ainda hoje fico pasmo), manga verde com sal, roubar jabuticaba na associação médica...
Com o tempo passando comecei a mandar correio elegante para a amiga com quem vim até a quermesse só pra ter o que ficar falando com ela, sobre a curiosidade dela em saber quem havia feito aquilo, segurar na mão pra atravessar a rua e esquecer de soltar bem depois de haver atravessado, até as mãos ficarem úmidas de suor e quentes de paixão.
Tudo isso foi legal, mas injeção eu detestei.
Pode?
- Mais forte do que as armas científicas atuais...supera o impossível..., domina o mundo da quarta dimensão e luta pela paz e pela justiça...Nacionarooooo Roooodolpho...ZAZZZ!
E assim, eu devidamente trajado com capa feita de toalha de banho e equipado com meu pára-quedas especial de guarda chuva, me joguei de cima do telhado da cozinha e caí em cima de um arvoredo que minha mãe tentava fazer crescer, mas que não contava com a minha ajuda , restando escoriações causadas pelos galhos da arvorezinha, um ferimento de 6 pontos na perna, causado por uma cerquinha que protegia a arvorezinha e uma bunda dolorida causada pela incompreensão de minha mãe.
- Seremos todos transformers., faremos do mundo um Claybom Cremoso, nada poderá nos deter, nem a chuva, nem o frio, nem o cansaço nem o sono!
Eu passava os dias e tardes nestas batalhas imaginárias, ou em escavações que fazia por todo o quintal á procura de um poço de petróleo ou de uma jazida de diamantes ou ainda então , quando estava com meus amiguinhos pegava quase todas as facas da cozinha de casa e municiava a minha tropa que integrava meu batalhão de expedição de desbravadores pelo mundo perdido dos Bandeirantes Guaporés.
Acompanhado também de meu fiel escudeiro Silver (meu cão Bob) e empunhando a minha espada de Liga da Justiça Estelar, bradava: Tander...Tander...Tander...Ohhhhh, e da-lhe surra no pé de banana: Pithhhhhh com minha pistola de raio laser...Pou...Pou...Pou nos bandidos assaltantes de carruagem dos dinheiros da rainha da inglaterra e de outras nações amigas.
Fazia aros ou amarrava latas e saia por aí a correr conduzindo minhas rodinhas ou pneus fazendo alvoroço: RRRRRRR.....RRRRRRR.....FRIIIIIIII ( nas curvas), subia nas arvores como macaco e no mato eu era o Jim das Selvas , á menos que estivesse empunhando um arco e flechas feito com o que restou de algum guarda-chuvas, ou ainda assoprando bolinhas colhidas de algumas arvores usando pedaços da antena de televisão como canudo para atirar o dardo fatal.( a minha mãe me cobrou as antenas até os meus 40 anos).
Maria mole no cone de casquinha que escondia algum brinquedo ou bechiga, doce de abóbora em formato de coração e o Pedro Bó ? quem não lembra dele? Suspiro cor de rosa com bolinhas coloridas enfeitando, paçoca farelenta que virava um nada na mão da gente, doce de leite com duas cores, uma era doce de leite e a outra, alguma coisa também parecida com ele...uma delícia.
Quebra queixo tirado com martelo, piruá do carrinho, raspadinha de menta, algodão feito na hora naquela máquina esquisita que eu ficava horas tentando decifrar como aquilo acontecia ( ainda hoje fico pasmo), manga verde com sal, roubar jabuticaba na associação médica...
Com o tempo passando comecei a mandar correio elegante para a amiga com quem vim até a quermesse só pra ter o que ficar falando com ela, sobre a curiosidade dela em saber quem havia feito aquilo, segurar na mão pra atravessar a rua e esquecer de soltar bem depois de haver atravessado, até as mãos ficarem úmidas de suor e quentes de paixão.
Tudo isso foi legal, mas injeção eu detestei.
Pode?
quarta-feira, 4 de março de 2009
23 Boa hora.
Boa hora.
Somente aqueles que têm irmã é que saberão avaliar o que estou contando, afinal, somos todos (aqueles que têm irmã), sofredores, abnegados e porque não dizer, vítimas silenciosas das agruras e vicissitudes porque temos de passar nas garras destes seres cruéis.
Eu não podia fazer nada e nem precisava fazer algo para que a culpa fosse minha e recebesse cascudos , beliscões, puxão de orelha, safanão, tapa, pontapé, chinelada e muita surra...afinal eram outros tempos e isso era normal e até corriqueiro.
- Oi amiga tudo bem ?
- Oi tudo bem amiga, só a minha mão que anda doendo um pouco...
- Já sei..., deve ter machucado batendo no seu filho!
- Como é que sabe ?.
- Eu também sofro como você...Vô ti contá... tirei meu gesso ontem ( e mostrava o braço) , não é que o ladino do meu filho se desviou e eu bati meu braço na pia e quebrei em dois lugares?...mas não se preocupe não, ainda consegui bater nele com a minha esquerda.
- Olha, ser mãe realmente não é fácil amiga.
A disgranhenta da minha irmã usava tudo, era só me olhar a já gritava : Mãe o Rodolpho ta me batendo !, se queria algo e eu não dava : Mãe o Rodolpho tá me batendo !, se eu estava com o pé na mesinha da sala: Mãe o Rodolpho tá...!, – se o pão dela caia ou se ela estava aborrecida por qualquer coisa: Mãe o Rodolpho tá...!
De forma imediata e sem nem olhar para os lados dá-lhe cascudo no menino, joga tamanco no moleque, tasca-lhe vassourada no infame., tudo porque a lindinha, a queridinha da mamãe, o bilú tetéia da vóvó, a megera aos olhos do sofrido irmão, estava dizendo que havia sido amuada pelo ladino, o mal criado, o peste o malvado EU.
Assim, o tempo foi passando, crianças crescendo, personalidades se amoldando,formação de caráter etc, mas algumas coisas teimavam em não mudar, a minha mãe e sua dureza no trato com os filhos e a malevolência infinita da minha irmã, mas um dia...
Eu já trabalhava no Banco perto da nossa casa e almoçava em casa todos os dias e minha irmã não fazia nada (claro), estudava( pura obrigação) ajudava na limpeza e ficava ao telefone com as amigas o dia todo.(tambem óbvio).
A Minha mãe tinha um xodó (fora a minha irmã) ...um carrinho de bebidas onde ela colocava de tudo mas principalmente Taçinhas de Cristal, (ela dizia que era pra ser usado em momentos especiais, mas já a 10 anos que estavam por lá), ele ficava entronizado na sala ( só faltava ficar bem no meio tipo uma fonte), tinha umas toalhinhas, pegadores metálicos, baldinho de gelo de prata e um monte de frufru, eu nem passava perto dele (gato escaldado tem medo de água fria).
Um dia logo após o almoço, minha mãe tinha saído e minha irmã estava passando aspirador na sala quando acidentalmente ela esbarrou no dito carrinho de bebidas.(o xodó)...quebrou uma das perninhas dele.(o xodó)...ele pendeu pra um lado e lentamente derramou todas as tacinhas de cristal... todos os penduricalhos...(o xodó), o baldinho de gelo, pegadores e até as bebidas foram ao chão fazendo o maior estardalhaço.
Eu saí da cozinha e fui pra sala ver o que havia ocorrido e lá estava a minha irmã (coitada)...Branca...Translúcida...quase uma holografia...com as duas mãos na cabeça....literalmente desesperada olhando o que ela tinha feito... ela não conseguia falar ou se mover, acho que estava até catatônica, estarrecida, em coma ( cá entre nós uma graça).
EU, percebendo tratar-se de uma situação especial e vendo minha irmã naquela situação difícil, tentei ajudar e reavaliar as coisas...passei por ela e peguei uma das taçinhas ( ou pelo menos o que havia restado dela), a taçinha estava até inteira...só a parte de baixo é que havia quebrado (o pezinho) , peguei a taçinha e ergui bem alto...minha irmã me olhava com lágrimas nos olhos e tremendo, tentando acalmá-la foi que eu disse.
- Não se preocupe, eu nem vou voltar a trabalhar agora a tarde...
Minha irmã chorando e balançando com a cabeça de forma afirmativa.
- Eu ficarei aqui mesmo esperando a mãe chegar junto com você.
Ela olhando para mim com os olhos marejados mexendo a cabeça positivamente.
- Não vou sair do seu lado, aconteça o que acontecer....
- Eu.....eu....(ela balbuciava), quebrei sem querer!
- Eu sei...eu sei...Claro que foi, não se preocupe ( e abracei ela).
- Quebrou uma das rodinhas e então caiu tudo....(chorando no meu ombro).
- Calma... calma, vai tudo ficar bem, não se preocupe, eu ficarei com você até o ultimo momento.
- hãããã???.
- Sim minha irmã...chegou a sua Boa hora (fazendo o sinal da cruz)...Hoje, a Mãe vai te matar,(ela me olhando atônita), ainda bem que eu não estou na sua pele,fique tranquila, eu vou fechar os seus olhos...onde quer que eu jogue as suas cinzas?
Hehe!
Pode ?
Somente aqueles que têm irmã é que saberão avaliar o que estou contando, afinal, somos todos (aqueles que têm irmã), sofredores, abnegados e porque não dizer, vítimas silenciosas das agruras e vicissitudes porque temos de passar nas garras destes seres cruéis.
Eu não podia fazer nada e nem precisava fazer algo para que a culpa fosse minha e recebesse cascudos , beliscões, puxão de orelha, safanão, tapa, pontapé, chinelada e muita surra...afinal eram outros tempos e isso era normal e até corriqueiro.
- Oi amiga tudo bem ?
- Oi tudo bem amiga, só a minha mão que anda doendo um pouco...
- Já sei..., deve ter machucado batendo no seu filho!
- Como é que sabe ?.
- Eu também sofro como você...Vô ti contá... tirei meu gesso ontem ( e mostrava o braço) , não é que o ladino do meu filho se desviou e eu bati meu braço na pia e quebrei em dois lugares?...mas não se preocupe não, ainda consegui bater nele com a minha esquerda.
- Olha, ser mãe realmente não é fácil amiga.
A disgranhenta da minha irmã usava tudo, era só me olhar a já gritava : Mãe o Rodolpho ta me batendo !, se queria algo e eu não dava : Mãe o Rodolpho tá me batendo !, se eu estava com o pé na mesinha da sala: Mãe o Rodolpho tá...!, – se o pão dela caia ou se ela estava aborrecida por qualquer coisa: Mãe o Rodolpho tá...!
De forma imediata e sem nem olhar para os lados dá-lhe cascudo no menino, joga tamanco no moleque, tasca-lhe vassourada no infame., tudo porque a lindinha, a queridinha da mamãe, o bilú tetéia da vóvó, a megera aos olhos do sofrido irmão, estava dizendo que havia sido amuada pelo ladino, o mal criado, o peste o malvado EU.
Assim, o tempo foi passando, crianças crescendo, personalidades se amoldando,formação de caráter etc, mas algumas coisas teimavam em não mudar, a minha mãe e sua dureza no trato com os filhos e a malevolência infinita da minha irmã, mas um dia...
Eu já trabalhava no Banco perto da nossa casa e almoçava em casa todos os dias e minha irmã não fazia nada (claro), estudava( pura obrigação) ajudava na limpeza e ficava ao telefone com as amigas o dia todo.(tambem óbvio).
A Minha mãe tinha um xodó (fora a minha irmã) ...um carrinho de bebidas onde ela colocava de tudo mas principalmente Taçinhas de Cristal, (ela dizia que era pra ser usado em momentos especiais, mas já a 10 anos que estavam por lá), ele ficava entronizado na sala ( só faltava ficar bem no meio tipo uma fonte), tinha umas toalhinhas, pegadores metálicos, baldinho de gelo de prata e um monte de frufru, eu nem passava perto dele (gato escaldado tem medo de água fria).
Um dia logo após o almoço, minha mãe tinha saído e minha irmã estava passando aspirador na sala quando acidentalmente ela esbarrou no dito carrinho de bebidas.(o xodó)...quebrou uma das perninhas dele.(o xodó)...ele pendeu pra um lado e lentamente derramou todas as tacinhas de cristal... todos os penduricalhos...(o xodó), o baldinho de gelo, pegadores e até as bebidas foram ao chão fazendo o maior estardalhaço.
Eu saí da cozinha e fui pra sala ver o que havia ocorrido e lá estava a minha irmã (coitada)...Branca...Translúcida...quase uma holografia...com as duas mãos na cabeça....literalmente desesperada olhando o que ela tinha feito... ela não conseguia falar ou se mover, acho que estava até catatônica, estarrecida, em coma ( cá entre nós uma graça).
EU, percebendo tratar-se de uma situação especial e vendo minha irmã naquela situação difícil, tentei ajudar e reavaliar as coisas...passei por ela e peguei uma das taçinhas ( ou pelo menos o que havia restado dela), a taçinha estava até inteira...só a parte de baixo é que havia quebrado (o pezinho) , peguei a taçinha e ergui bem alto...minha irmã me olhava com lágrimas nos olhos e tremendo, tentando acalmá-la foi que eu disse.
- Não se preocupe, eu nem vou voltar a trabalhar agora a tarde...
Minha irmã chorando e balançando com a cabeça de forma afirmativa.
- Eu ficarei aqui mesmo esperando a mãe chegar junto com você.
Ela olhando para mim com os olhos marejados mexendo a cabeça positivamente.
- Não vou sair do seu lado, aconteça o que acontecer....
- Eu.....eu....(ela balbuciava), quebrei sem querer!
- Eu sei...eu sei...Claro que foi, não se preocupe ( e abracei ela).
- Quebrou uma das rodinhas e então caiu tudo....(chorando no meu ombro).
- Calma... calma, vai tudo ficar bem, não se preocupe, eu ficarei com você até o ultimo momento.
- hãããã???.
- Sim minha irmã...chegou a sua Boa hora (fazendo o sinal da cruz)...Hoje, a Mãe vai te matar,(ela me olhando atônita), ainda bem que eu não estou na sua pele,fique tranquila, eu vou fechar os seus olhos...onde quer que eu jogue as suas cinzas?
Hehe!
Pode ?
segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009
22 Burquinhas
Burquinhas.
- E o senhor então vai se preparando porque amanhã de madrugada chega a sua Tia Nenê e vai ficar aqui uns 3 dias pra fazer consulta no médico...então já sabe, ela fica no seu quarto e você vai pro quartinho dos fundos.
-Mas mãe...
-Não tem mais nem menos, é isso e vê se arruma um pouco essa bagunça...e a Ana Luiza vem com ela e você não vai me aprontar de novo.
-Vixi, faz mais de 3 anos que ela veio mãe, você não esquece nada né?.
-É isso mesmo, e a menina ficou traumatizada com a sua arte...onde já se viu amarrar a menina no pé da mesa o dia todo?....se aprontar de novo você vai ver só o que eu te faço... ah se vai!
E assim minha mãe saiu batendo porta.
A Ana Luiza é que era uma peste, onde já se viu , achou minha lata de leite ninho onde eu guardava minhas burquinhas (bolinhas de gude), e não é que ela pintou com esmalte vermelho uns olhinhos e boquinha sorridente em cada bolinha?...até no meu Batatão premiado?.
O meu álbum de figurinhas da copa de 70 ela colocou chifre e bigode em cada jogador, e ainda enfeitou os campos de futebol com florzinhas coloridas, sol brilhante e até cachorrinhos ela colocou, não era justo e merecia um castigo a altura, não estou certo?
Agora mais essa, o terror estava voltando, de imediato eu comecei a procurar lugar para esconder as minhas coisas, debaixo do assoalho, em cima do forro, em cima do telhado, na casa de coleginhas que moravam nas proximidades, afinal, tesouro é tesouro.
De madrugada eu ainda dormindo só ouvi a minha mãe gritando.
- Zarpa já daqui que a sua tia chegou, xispa lá pro quartinho dos fundos, e nós vamos sair bem cedinho pra consulta dela, vou deixar café e tudo em cima da mesa, comporte-se senão vai levar uma piaba quando eu voltar.
Eu nem sei como foi que eu fui pro quartinho dos fundos, acho que meio zonzo de sono, arrastando meu cobertor de bandeira do Brasil (não largava dele por nada).
De manhã eu mal acordei e então lembrei que estava no quartinho dos fundos e voltei pro meu quarto pra procurar uma camiseta, foi quando eu me assustei com o que vi.
Ela estava deitada na minha cama dormindo, usava um shortinho branco com umas rendinhas, camiseta branca onde dava pra ver uns seinhos salientes e a pele dela era lisinha e toda cor de rosa, cabelos loiros tipo espiga de milho e tinha um não sei quê, que me deixou estranho e eu então pé ante pé passei por ela e abri a porta do guarda roupa, e então ela se mexeu e deu pra ver um pouquinho do seio dela...
Eu fiquei maluco e assustado e bati a porta do guarda roupa e saí correndo com a minha camiseta na mão e então ela acordou.
- Oi, não vai me dar oi não?
- Oi , tô com pressa, café ta na mesa.
- Espera um pouco, quero te ver
- Eu já volto, vai tomando café que ta na mesa, eu já volto.
Eu saí rapidinho e fui dar ração por cachorro, lavar o rosto e esconder alguma coisa em mim que crescia e me fazia passar vergonha as vezes na escola, a minha professora (dona Lúcia, já falei que fui apaixonado por ela?) me disse dia desses que eu estava ficando mocinho e que naturalmente aprenderia a lidar com isso.
Só pra prevenir pequei uma jaqueta e amarrei na cintura e cobri o local...vai que volta de novo ? , ficou meio esquisito mas melhor do que sem nada e pra disfarçar coloquei um chapéu velho do meu pai.
- Credo ! disse ela ( estava sentada á mesa do café) , onde você vai com esse modelito?
. Brincar de fazendeiro, só isso.
- É mesmo?, e pra que o fantasma? ( apontava pra baixo em mim) .
Quando eu olhei a coisa já tinha acontecido... ele (voce sabe quem) tinha ficado de novo erguido e a jaqueta ido junto, eu fiquei vermelho, azul, branco, bati na jaqueta e baixei a armação e sentei imediatamente pra tomar o café.
- Desculpa..., ando tendo uns problemas aí...coisa de menino.
- Eu posso te ajudar... quer?
- ã ???
Á partir daquele café da manhã, minha vida nunca mais foi a mesma, e eu até esqueci o lugar onde eu havia escondido as minhas coisas, meus álbuns de figurinhas, meus bodoques, bilboquê, perdi quase tudo, mas o que mais me faz falta, e até hoje reclamo, foi haver perdido a minha inocência e ingenuidade, sem falar nas minhas burquinhas? Falei desde o começo que ela realmente era uma peste.
Pode?
- E o senhor então vai se preparando porque amanhã de madrugada chega a sua Tia Nenê e vai ficar aqui uns 3 dias pra fazer consulta no médico...então já sabe, ela fica no seu quarto e você vai pro quartinho dos fundos.
-Mas mãe...
-Não tem mais nem menos, é isso e vê se arruma um pouco essa bagunça...e a Ana Luiza vem com ela e você não vai me aprontar de novo.
-Vixi, faz mais de 3 anos que ela veio mãe, você não esquece nada né?.
-É isso mesmo, e a menina ficou traumatizada com a sua arte...onde já se viu amarrar a menina no pé da mesa o dia todo?....se aprontar de novo você vai ver só o que eu te faço... ah se vai!
E assim minha mãe saiu batendo porta.
A Ana Luiza é que era uma peste, onde já se viu , achou minha lata de leite ninho onde eu guardava minhas burquinhas (bolinhas de gude), e não é que ela pintou com esmalte vermelho uns olhinhos e boquinha sorridente em cada bolinha?...até no meu Batatão premiado?.
O meu álbum de figurinhas da copa de 70 ela colocou chifre e bigode em cada jogador, e ainda enfeitou os campos de futebol com florzinhas coloridas, sol brilhante e até cachorrinhos ela colocou, não era justo e merecia um castigo a altura, não estou certo?
Agora mais essa, o terror estava voltando, de imediato eu comecei a procurar lugar para esconder as minhas coisas, debaixo do assoalho, em cima do forro, em cima do telhado, na casa de coleginhas que moravam nas proximidades, afinal, tesouro é tesouro.
De madrugada eu ainda dormindo só ouvi a minha mãe gritando.
- Zarpa já daqui que a sua tia chegou, xispa lá pro quartinho dos fundos, e nós vamos sair bem cedinho pra consulta dela, vou deixar café e tudo em cima da mesa, comporte-se senão vai levar uma piaba quando eu voltar.
Eu nem sei como foi que eu fui pro quartinho dos fundos, acho que meio zonzo de sono, arrastando meu cobertor de bandeira do Brasil (não largava dele por nada).
De manhã eu mal acordei e então lembrei que estava no quartinho dos fundos e voltei pro meu quarto pra procurar uma camiseta, foi quando eu me assustei com o que vi.
Ela estava deitada na minha cama dormindo, usava um shortinho branco com umas rendinhas, camiseta branca onde dava pra ver uns seinhos salientes e a pele dela era lisinha e toda cor de rosa, cabelos loiros tipo espiga de milho e tinha um não sei quê, que me deixou estranho e eu então pé ante pé passei por ela e abri a porta do guarda roupa, e então ela se mexeu e deu pra ver um pouquinho do seio dela...
Eu fiquei maluco e assustado e bati a porta do guarda roupa e saí correndo com a minha camiseta na mão e então ela acordou.
- Oi, não vai me dar oi não?
- Oi , tô com pressa, café ta na mesa.
- Espera um pouco, quero te ver
- Eu já volto, vai tomando café que ta na mesa, eu já volto.
Eu saí rapidinho e fui dar ração por cachorro, lavar o rosto e esconder alguma coisa em mim que crescia e me fazia passar vergonha as vezes na escola, a minha professora (dona Lúcia, já falei que fui apaixonado por ela?) me disse dia desses que eu estava ficando mocinho e que naturalmente aprenderia a lidar com isso.
Só pra prevenir pequei uma jaqueta e amarrei na cintura e cobri o local...vai que volta de novo ? , ficou meio esquisito mas melhor do que sem nada e pra disfarçar coloquei um chapéu velho do meu pai.
- Credo ! disse ela ( estava sentada á mesa do café) , onde você vai com esse modelito?
. Brincar de fazendeiro, só isso.
- É mesmo?, e pra que o fantasma? ( apontava pra baixo em mim) .
Quando eu olhei a coisa já tinha acontecido... ele (voce sabe quem) tinha ficado de novo erguido e a jaqueta ido junto, eu fiquei vermelho, azul, branco, bati na jaqueta e baixei a armação e sentei imediatamente pra tomar o café.
- Desculpa..., ando tendo uns problemas aí...coisa de menino.
- Eu posso te ajudar... quer?
- ã ???
Á partir daquele café da manhã, minha vida nunca mais foi a mesma, e eu até esqueci o lugar onde eu havia escondido as minhas coisas, meus álbuns de figurinhas, meus bodoques, bilboquê, perdi quase tudo, mas o que mais me faz falta, e até hoje reclamo, foi haver perdido a minha inocência e ingenuidade, sem falar nas minhas burquinhas? Falei desde o começo que ela realmente era uma peste.
Pode?
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
21 O Causo
O Causo
Quem me contou foi meu avô, que puxava para acontecimento diretamente com ele o que se passou, mas acho cá pra mim, que isso não seja verdade, porque anos depois, quando o Rolando Boldrim, ainda tinha um programa de televisão, contou este causo, igualzinho ao que meu avô havia dito ter ele mesmo presenciado ou vivenciado.
Verdade ou não, estória do meu avô ou do Rolando , não faz muita diferença, afinal, foi interessante e acho que é bom lembrar.
Dizia meu avô que o causo aconteceu lá pros cafundó do Rio Grande do Sul, quando ele era capataz de fazenda de gado e que muitos fazendeiros e outros capatazes se queixavam de roubo de bois, cavalos ou mulas ou algo assim.
Um dia, numa destas festas de fazenda e peões, os capatazes se reuniram e determinaram que todos iriam vigiar muito bem suas fazendas e que aquele que conseguisse prender os bandidos, deveria imediatamente fazer soar o sino da igreja e levar o bandido pra lá.
Eis que numa tarde o sino tocou e todos acorreram em alarido, e chegando lá, 2 matutos, muito lampeiros, vestidos de bota , chapéu e tudo que um cavaleiro veste e o capataz de uma das fazendas, com eles amarrados em cordas, gritava: Peguei..Peguei os ladrões..
Diz que foi um tumulto, gente querendo dar ponta pés, gente gritando : Safados, Ladrões, Vagabundos – Bandidos – e então alguém teve a idéia de jerico: Vamos pendurar os desgraçados lá no rio – ao que começaram os gritos do tumulto: Enforca – Degola, Capa.
Resolveram que iriam fazer isso tudo após amarrados em galho de árvore acima do rio, e que lá permaneceriam pendurados, para que outros bandidos não mais se aventurassem pela região com o mesmo propósito ., e escolheram inclusive quem seria o carrasco, em tal de Zé do Brejo (hehe).
E foram eles pro rio e lá chegando, penduraram um dos bandidos e amarraram a corda, porem o galho de árvore escolhida cedeu ao peso do homem, que havia muito se debatido e então caiu na água , e soltando-se nadou para a margem (oposta é claro), e saiu depois pelo mato em desabalada carreira e escafedeu-se.
Os peões ficaram só assistindo aquilo, pois não podiam atravessar o rio naquela altura dos fatos, voltando-se para o segundo bandido e gritando para o Zé do Brejo diziam: Zé , agora faz com esse direitinho que é pra não acontecer de novo.
E o peão então, puxando o cavalo onde estava montado o segundo bandido começou a procurar outra árvore, foi quando o segundo bandido disse:
- Seu Zé.....
- Fala Bandidão.
- O Senhor trate de procurar um galho bem forte viu?
- E bandido tem querênça por aqui é? Seu safado.
- Não é por nada não, me adiscurpa assuntá é que eu num sei nadar não sinhô, tenha dó seu Zé!
Pode?
Quem me contou foi meu avô, que puxava para acontecimento diretamente com ele o que se passou, mas acho cá pra mim, que isso não seja verdade, porque anos depois, quando o Rolando Boldrim, ainda tinha um programa de televisão, contou este causo, igualzinho ao que meu avô havia dito ter ele mesmo presenciado ou vivenciado.
Verdade ou não, estória do meu avô ou do Rolando , não faz muita diferença, afinal, foi interessante e acho que é bom lembrar.
Dizia meu avô que o causo aconteceu lá pros cafundó do Rio Grande do Sul, quando ele era capataz de fazenda de gado e que muitos fazendeiros e outros capatazes se queixavam de roubo de bois, cavalos ou mulas ou algo assim.
Um dia, numa destas festas de fazenda e peões, os capatazes se reuniram e determinaram que todos iriam vigiar muito bem suas fazendas e que aquele que conseguisse prender os bandidos, deveria imediatamente fazer soar o sino da igreja e levar o bandido pra lá.
Eis que numa tarde o sino tocou e todos acorreram em alarido, e chegando lá, 2 matutos, muito lampeiros, vestidos de bota , chapéu e tudo que um cavaleiro veste e o capataz de uma das fazendas, com eles amarrados em cordas, gritava: Peguei..Peguei os ladrões..
Diz que foi um tumulto, gente querendo dar ponta pés, gente gritando : Safados, Ladrões, Vagabundos – Bandidos – e então alguém teve a idéia de jerico: Vamos pendurar os desgraçados lá no rio – ao que começaram os gritos do tumulto: Enforca – Degola, Capa.
Resolveram que iriam fazer isso tudo após amarrados em galho de árvore acima do rio, e que lá permaneceriam pendurados, para que outros bandidos não mais se aventurassem pela região com o mesmo propósito ., e escolheram inclusive quem seria o carrasco, em tal de Zé do Brejo (hehe).
E foram eles pro rio e lá chegando, penduraram um dos bandidos e amarraram a corda, porem o galho de árvore escolhida cedeu ao peso do homem, que havia muito se debatido e então caiu na água , e soltando-se nadou para a margem (oposta é claro), e saiu depois pelo mato em desabalada carreira e escafedeu-se.
Os peões ficaram só assistindo aquilo, pois não podiam atravessar o rio naquela altura dos fatos, voltando-se para o segundo bandido e gritando para o Zé do Brejo diziam: Zé , agora faz com esse direitinho que é pra não acontecer de novo.
E o peão então, puxando o cavalo onde estava montado o segundo bandido começou a procurar outra árvore, foi quando o segundo bandido disse:
- Seu Zé.....
- Fala Bandidão.
- O Senhor trate de procurar um galho bem forte viu?
- E bandido tem querênça por aqui é? Seu safado.
- Não é por nada não, me adiscurpa assuntá é que eu num sei nadar não sinhô, tenha dó seu Zé!
Pode?
domingo, 8 de fevereiro de 2009
20 Zoeira
Zoeira
No ar.
-Olha o carro do sonho, Sonho de goibada, de Creme de Chocolate de Doce de Leite, é só dois Real e leva cinco.
-É o carro do sorvete freguesia, sorvete de nata , sorvete de morango, sorvete de leite, custa só dois Real, leva cinco bola, traga a vasilha....traga a vasilha.
Na porta.
-Boa tarde senhor, eu sou da Associação dos menores infratores carentes e estou pedindo seu apoio....
-O Senhor não vai ter de comprar nada, eu só estou fazendo um trabalho de pesquisa aqui no bairro que visa....
-Tio o senhor não tem nada prá dá?
-Conserto fogão , ferro de passar, liquidificador, geladeira, se duvidar até unha encravada....
Nas imediações.
Pássaros assobiando fininho...cachorros latindo..., mulher abanando a toalha da mesa sobre a janela..., mães gritando a chamar os filhos..., criança brincando com carrinho de rolemã ou soltando pipa.
Meninas sentadas na calçada falando baixinho e dando risadinhas depois que passamos..., mulher lavando calçada esguichando água..., velha andando devagarzinho com bíblia na mão e ao passar nos dá um sorriso e diz “Bom dia vizinho”... , a moto do carteiro chegando e dois cachorros tentando morder as rodas e o carteiro tentando chutá-los..., o caminhão do gás com aquela musiqueta irritante e motorista com palito nos dentes.
Prestador chegando para consertar telefone de alguém estendendo escada no poste..., catador de papel com aquele carrinho abarrotado de coisas e dois cachorros acompanhando e cheirando tudo que vêem e fazendo xixi nas rodas do carrinho..., passantes com sacola de supermercado nas mãos conversando animadamente sobre qualquer coisa..., moça com carrinho de bebe ajeitando aquele paninho pra que a criança não sofra ao sol..., transporte escolar passando com aquele alarido de crianças em seu interior..., marteladas de alguém que prega alguma placa numa cerca próxima.
Musica tum tum tum, de algum maluco que deixa o som do carro ligado na certeza de que nós adoramos a sua escolha..., criança batendo palma em frente da casa pedindo que devolvam a bola que lá caiu e o cachorro pegou..., jardineiro com cortador de grama ligado e fazendo revoar cisco pra todo lado.
O vizinho da direita possui um portão eletrônico que quando acionado faz rurururururururu..., o vizinho da esquerda deve ter morrido porque não dá sinal de vida...,o beija flor quando lhe falta água com açúcar no potinho vem tirar satisfação e só falta falar zunindo sua reclamação..., uma família de Patos ou Gansos de um vizinho das imediações faz incursões e travessias de rua grasnando “gráaaaa gráaaaa tsssssss”, e quando me vêm me atacam baixando o pescoso e correndo para o meu lado..., e eu fugindo e rindo.
Primeiro eu sinto o cheiro de cafezinho passado na hora que dá até vontade de fechar os olhos ( cheiro de café é melhor que o gosto), depois um cheiro de cocô de cachorro, olho pra traz e vejo e meu cachorro Fila Gigante acocorado , meio curvado fazendo força e soltando aquela montanha que terei de catar logo antes que empedre e eu tenha que tirar com britadeira.
É...Acho que hoje eu não estou inspirado pra escrever nada não...vou sair e tomar um sorvete.
Pode?
No ar.
-Olha o carro do sonho, Sonho de goibada, de Creme de Chocolate de Doce de Leite, é só dois Real e leva cinco.
-É o carro do sorvete freguesia, sorvete de nata , sorvete de morango, sorvete de leite, custa só dois Real, leva cinco bola, traga a vasilha....traga a vasilha.
Na porta.
-Boa tarde senhor, eu sou da Associação dos menores infratores carentes e estou pedindo seu apoio....
-O Senhor não vai ter de comprar nada, eu só estou fazendo um trabalho de pesquisa aqui no bairro que visa....
-Tio o senhor não tem nada prá dá?
-Conserto fogão , ferro de passar, liquidificador, geladeira, se duvidar até unha encravada....
Nas imediações.
Pássaros assobiando fininho...cachorros latindo..., mulher abanando a toalha da mesa sobre a janela..., mães gritando a chamar os filhos..., criança brincando com carrinho de rolemã ou soltando pipa.
Meninas sentadas na calçada falando baixinho e dando risadinhas depois que passamos..., mulher lavando calçada esguichando água..., velha andando devagarzinho com bíblia na mão e ao passar nos dá um sorriso e diz “Bom dia vizinho”... , a moto do carteiro chegando e dois cachorros tentando morder as rodas e o carteiro tentando chutá-los..., o caminhão do gás com aquela musiqueta irritante e motorista com palito nos dentes.
Prestador chegando para consertar telefone de alguém estendendo escada no poste..., catador de papel com aquele carrinho abarrotado de coisas e dois cachorros acompanhando e cheirando tudo que vêem e fazendo xixi nas rodas do carrinho..., passantes com sacola de supermercado nas mãos conversando animadamente sobre qualquer coisa..., moça com carrinho de bebe ajeitando aquele paninho pra que a criança não sofra ao sol..., transporte escolar passando com aquele alarido de crianças em seu interior..., marteladas de alguém que prega alguma placa numa cerca próxima.
Musica tum tum tum, de algum maluco que deixa o som do carro ligado na certeza de que nós adoramos a sua escolha..., criança batendo palma em frente da casa pedindo que devolvam a bola que lá caiu e o cachorro pegou..., jardineiro com cortador de grama ligado e fazendo revoar cisco pra todo lado.
O vizinho da direita possui um portão eletrônico que quando acionado faz rurururururururu..., o vizinho da esquerda deve ter morrido porque não dá sinal de vida...,o beija flor quando lhe falta água com açúcar no potinho vem tirar satisfação e só falta falar zunindo sua reclamação..., uma família de Patos ou Gansos de um vizinho das imediações faz incursões e travessias de rua grasnando “gráaaaa gráaaaa tsssssss”, e quando me vêm me atacam baixando o pescoso e correndo para o meu lado..., e eu fugindo e rindo.
Primeiro eu sinto o cheiro de cafezinho passado na hora que dá até vontade de fechar os olhos ( cheiro de café é melhor que o gosto), depois um cheiro de cocô de cachorro, olho pra traz e vejo e meu cachorro Fila Gigante acocorado , meio curvado fazendo força e soltando aquela montanha que terei de catar logo antes que empedre e eu tenha que tirar com britadeira.
É...Acho que hoje eu não estou inspirado pra escrever nada não...vou sair e tomar um sorvete.
Pode?
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