Corpo de Baile 1
-Tá cum tu ?
-Num tá!
-Tá cum tu?
-Num tá!
-Tá cum tu?
-Tá não!
-Diachu, cum quem qui tá intão? Quim dos infer!
Ele já tinha perdido bem uns quinze minutos procurando e perguntando para todos, e todos enfileirados no corredor comendo suas marmitas, tomando seus refrigerantes compartilhando aquelas garrafas de 2 litros que eram passadas de mão em mão, e tomada a goladas, direto da garrafa sem usar copos (eu até ofereci mas me disseram: Num percisa não seu Dotô, nóis gosta de ãssim mermo, no bico qui desce mais gostosu).
Então coçando a cabeça em atitude de quem está pensando ele olhou pra cima e gritou lá pra laje!
-Chicão.....O Chicão seu peste!
-Fala seu fi du’a égua!
-Ta cum tu a Marquita do zóinho?
-Tô cum Marmita de ninguém não seu miséra!
-Num é Marmita não disgrama...a Marquita do zóinho seu froxo!
-Nun sei de Marmita e nem de Marquita e nem de Zóinho ninum aquim cima , vê se acha outro pra abestaiá!
- Orra gente inhorante, fóda de trabaiá, vai se fudê intão bódão do carái....
Essa era a rotina na obra, o dia inteiro, um tal de Bódão, gritando com Chicão, com Zóinho, com Parafuso e o escambau e chefiando a todos ?: Zé do Brejo! (que eles chamavam de gato).
Olha eu de novo rodeado de gente do Zé do Brejo, que levou aquela turma toda lá pra minha casa para fazer a minha laje que iria aumentar um pouco a construção nos fundos.
- E então seu Zé do brejo, dá pra fazer a minha laje?
-Mas seu Doto, pá nóis é facim facim...em dois tempu nóis tremina...
-Sei...(eu coçando a cabeça)..lizim lizim....olha lá hein seu Zé!
-Pó dexá cum nóis que ieu areúno os Profissionar, só gente de Catinguria e manda vê!
-Olha lá hein ??,. Tem que ficar pronto em uma semana...nem mais um dia.
-Demorô! , qui ieu demoro mais que treis dia pra fazê uma lajizinha assim desse tamanin? Pó botá fé...si im treis dia num tivé pronto o Doto pó corta meu saco!
E foi assim que eu entrei nessa de novo....Treis dia....pó cortá meu saco...facim facim.
Primeiro dia, não eram nem seis horas da manhã chegou seu Zé com o tal Divino!
- Esse aqui é o Divino, home bão di Laje, né mês Divino?
- Pois qui seu Zé intende mermo, vamos alevantá essa lajizinha em dois tempu, á se vâmo!
E assim foi aparecendo durante o dia todo: Socó , Beleleu, Lindomar, Jaci, Tião, Chesca , Raio Vac , Mandioca (especialista em ferragens que ele chamava : Os ferro) – Beronha e Pitu, alem dos outros que já citei.
A equipe para construção da minha laje então estava formada...verdadeiro Corpo de Baile de mascarás encenando O INFERNO de Rodolpho.
Minha esposa quando viu a turma toda sentenciou: -Vou pra casa da minha mãe (com cara de zangada), quando estiver tudo pronto E LIMPO, eu volto...só você mesmo, sempre me aprontando!
Eu fiquei meio confuso com o comentario dela, mas nem deu tempo de retrucar porque ela saiu xispando dali, levou até os dois cachorrinhos pincher....já vai tarde (eu pensando), mulher em obra só atrapalha mesmo.
E não é que o pessoal sabia trabalhar mesmo?, ao final do primeiro dia já haviam estruturas de madeiras e caixarias e colunas de ferros e um cem número de coisas feitas?
Já no segundo dia faltaram dois trabalhadores e seu Zé do Brejo justificou: Strépi no Dedão e Dor na Cacunda (claro), mas queira ou não a obra estava andando e eu pensando comigo: Quando ela voltar não vai nem acreditar que já esta pronto, aí eu quero ver ela engolir e pedir desculpa!
A frente da casa virou depósito de material de construção, Tijolos – Cimentos – Madeiras – Pedra - Areia , Caçamba de lixo, crianças brincando na areia, cachorro fazendo cocô na pedra, chega e sai de caminhão, fundo musical do meu Balé, faz parte.
Derrepente um corre corre, e todos os homens saindo da obra e indo pra frente da casa e barulho de caminhão chegando fazendo alvoroço.
-Chegô gente, vãmo lá ajudá!, vãmo, vãmo...êh maravilha! Agora ieu senti sustança no negóço, é já que a gente tremina essa laje.
Eu fiquei curioso , porque parecia que estavam muito alegres, contentes como criança quando vai ganhar presente e acorriam para lá em passos firmes e decididos, não me aguentei e fui ver o que era, encontrando seu Zé sendo parabenizado pelos amigos.
Na frente da casa um caminhão velho caindo aos pedaços, todo meio torno por uma carga pesada que pendia pra um lado, soltava uma fumaceira dos diabos e fazia um barulho tão estrondoso que tive que gritar para que seu Zé me ouvisse.
- Seu Zé...seu Zé.., o que está acontecendo?
- O Sr. já vai vê...num sabe não?
-Não (eu coçando a cabeça)
E então descarregaram um volume imenso envolto com lona preta e que era bastante pesado pois foram necessários vários homens para descer do caminhão e então como que suportado em um andor foi intronizado pelo meu quintal adentro carregado pelos ombros dos pedreiros seguidos por uma verdadeira romaria e colocado próximo a obra, e tão logo chegou ao chão eles começaram a desembrulhar a traquitana, seu Zé foi até o embrulho e me puxando pelo braço arrancou de uma só vez a lona preta e me apresentou orgulhoso.
- Seu Dotô...essa é a Bitornera.
Pode?
Porque um Blog?
Alguns amigos me perguntam sobre o que estou escrevendo no momento?
Escrevi durante algum tempo para o Jornal do Estado (Curitiba/Paraná), para alguns Jornais e Revistas Técnicos escrevia matérias tambem técnicas ( Seguro em Foco foi um deles).
Mas o que estou escrevendo no momento são crônicas, se é que posso rotula-las com este título!.
Na verdade um pouco de verdade e um pouco de fantasia sobre a verdade.
O Livro está praticamente pronto, daí: No Prelo!.
Vou postar aqui algumas dessas pequenas estórias e conto com a compreensão dos amigos, sobre meus erros e lapsos ( que não são poucos).
Bem sei que de boas intenções, está ladrilhada a estrada que leva ao inferno, contudo...Como quem está na chuva pretende se molhar.
Adoraria receber de algum amigo uma toalha bem felpuda.
Rodolpho.
Escrevi durante algum tempo para o Jornal do Estado (Curitiba/Paraná), para alguns Jornais e Revistas Técnicos escrevia matérias tambem técnicas ( Seguro em Foco foi um deles).
Mas o que estou escrevendo no momento são crônicas, se é que posso rotula-las com este título!.
Na verdade um pouco de verdade e um pouco de fantasia sobre a verdade.
O Livro está praticamente pronto, daí: No Prelo!.
Vou postar aqui algumas dessas pequenas estórias e conto com a compreensão dos amigos, sobre meus erros e lapsos ( que não são poucos).
Bem sei que de boas intenções, está ladrilhada a estrada que leva ao inferno, contudo...Como quem está na chuva pretende se molhar.
Adoraria receber de algum amigo uma toalha bem felpuda.
Rodolpho.
segunda-feira, 18 de maio de 2009
quinta-feira, 9 de abril de 2009
28 Mensagem de Texto.
Mensagem de Texto.
Um dia eu estava muito chateado, meu trabalho estava me desiludindo, eu trabalhava, trabalhava, corria, fazia, era explorado, com horas e horas de dedicação.
Chegava cedo e saia bastante tarde e não ganhava hora extra ou sequer um muito obrigado, o pagamento saia sempre com atraso, faltava material de trabalho como papel ofício, filme para máquina fotográfica que eu usava, pilhas para flash, caneta, tinta pra carimbo, enfim um horror.
O carro da empresa tinha pneus carecas e para abastecer eu tinha que fazer malabarismos, só me hospedava em hotéis de quinta categoria para economizar o adiantamento de viagem e assim abastecer o carro com gasolina.
Meu vale refeição valia um pouco mais da metade do valor do prato de comida que serviam em botequim de zona de meretrício, e eu então me virava com pão de padaria com algumas fatias de mortadela que eu mesmo comprava e trancado no quartinho de hotel cortava, passava margarina e com um guaraná de 02 litros, comia satisfeito, afinal estava trabalhando.
As vezes tinha que ficar uma semana em uma cidadezinha o dinheiro do adiantamento acabando e a empresa demorando para mandar uma ordem de pagamento ( era assim que chamavam transferência eletrônica naquele tempo), e nas horas de folga, como não tinha TV no hotel, e nada mais pra fazer eu saía a esmo, olhando as pessoas e sentado na praça fumando um cigarro ia orando e pedindo para que o tempo passasse bem rápido e eu pudesse voltar para a segurança do meu lar e da minha cidade.
Eu realmente estava amargurado aquele dia, desgostoso com a minha sorte, com a minha situação profissional e financeira e descrente de que Deus estivesse me olhando com bons olhos, afinal, parecia que ele não mais se importava comigo, pois estaria vendo a minha situação e não fazia nada para ao menos melhorar um pouquinho o meu destino.
Naquele banco de praça, olhando para o nada, posto que estava compenetrado em ficar com dó de mim e ralhando com Deus pelo desatino, fui despertado por um senhor bem velhinho, barbas brancas e magrinho, com bengalinha feita com galho de árvore, que usava um terninho cinza, camisa branca muito alva e gravata borboleta ( não é comum a gente ver alguém usando gravata borboleta hoje em dia).
Ele sentou-se ao meu lado e vendo minha expressão de melancolia, depois de pedir licença por estar em incomodando disse que havia lido em um jornal uma notícia muito interessante e disse:
O grande dilema do criador, é ser criticado por tudo e por todos
Que mesmo com todos os tudo deste mundo, conseguem fazer
Um simples quase!
Depois de ouvir aqueles palavras, tive uma crise de choro, coloquei minha cabeça entre os joelhos e com minhas mãos tapando meu rosto disse ao velhinho, me desculpe por chorar , é que eu estou muito triste neste momento e...
Quando olhei o homem não estava mais por lá...já era tarde e a praça estava fazia...um vento gostoso e fresquinho açoitava lentamente as folhas das árvores..., o entardecer se anunciava assim como o trililar do meu Bip informando chegada de mensagem de texto que dizia:
Não deu pra fazer depósito -terá que esperar mais 2 dias!
Pode?
Um dia eu estava muito chateado, meu trabalho estava me desiludindo, eu trabalhava, trabalhava, corria, fazia, era explorado, com horas e horas de dedicação.
Chegava cedo e saia bastante tarde e não ganhava hora extra ou sequer um muito obrigado, o pagamento saia sempre com atraso, faltava material de trabalho como papel ofício, filme para máquina fotográfica que eu usava, pilhas para flash, caneta, tinta pra carimbo, enfim um horror.
O carro da empresa tinha pneus carecas e para abastecer eu tinha que fazer malabarismos, só me hospedava em hotéis de quinta categoria para economizar o adiantamento de viagem e assim abastecer o carro com gasolina.
Meu vale refeição valia um pouco mais da metade do valor do prato de comida que serviam em botequim de zona de meretrício, e eu então me virava com pão de padaria com algumas fatias de mortadela que eu mesmo comprava e trancado no quartinho de hotel cortava, passava margarina e com um guaraná de 02 litros, comia satisfeito, afinal estava trabalhando.
As vezes tinha que ficar uma semana em uma cidadezinha o dinheiro do adiantamento acabando e a empresa demorando para mandar uma ordem de pagamento ( era assim que chamavam transferência eletrônica naquele tempo), e nas horas de folga, como não tinha TV no hotel, e nada mais pra fazer eu saía a esmo, olhando as pessoas e sentado na praça fumando um cigarro ia orando e pedindo para que o tempo passasse bem rápido e eu pudesse voltar para a segurança do meu lar e da minha cidade.
Eu realmente estava amargurado aquele dia, desgostoso com a minha sorte, com a minha situação profissional e financeira e descrente de que Deus estivesse me olhando com bons olhos, afinal, parecia que ele não mais se importava comigo, pois estaria vendo a minha situação e não fazia nada para ao menos melhorar um pouquinho o meu destino.
Naquele banco de praça, olhando para o nada, posto que estava compenetrado em ficar com dó de mim e ralhando com Deus pelo desatino, fui despertado por um senhor bem velhinho, barbas brancas e magrinho, com bengalinha feita com galho de árvore, que usava um terninho cinza, camisa branca muito alva e gravata borboleta ( não é comum a gente ver alguém usando gravata borboleta hoje em dia).
Ele sentou-se ao meu lado e vendo minha expressão de melancolia, depois de pedir licença por estar em incomodando disse que havia lido em um jornal uma notícia muito interessante e disse:
O grande dilema do criador, é ser criticado por tudo e por todos
Que mesmo com todos os tudo deste mundo, conseguem fazer
Um simples quase!
Depois de ouvir aqueles palavras, tive uma crise de choro, coloquei minha cabeça entre os joelhos e com minhas mãos tapando meu rosto disse ao velhinho, me desculpe por chorar , é que eu estou muito triste neste momento e...
Quando olhei o homem não estava mais por lá...já era tarde e a praça estava fazia...um vento gostoso e fresquinho açoitava lentamente as folhas das árvores..., o entardecer se anunciava assim como o trililar do meu Bip informando chegada de mensagem de texto que dizia:
Não deu pra fazer depósito -terá que esperar mais 2 dias!
Pode?
terça-feira, 31 de março de 2009
27 Correntinha.
Correntinha.
Ele tinha um dente com problemas..., quando estava no Exército começou a doer e foi então atendido pelos excelentes profissionais dentistas do quartel e num instante a dor passou, assim como o ano em que prestou o serviço militar.
O problema ocorreu logo após voltar, doía e então foi a um dentista de verdade que sentenciou:
- Vamos arrancar isso porque ta tudo podre, vou colocar um provisório, portanto tome cuidado.
Feito o que tinha que ser feito lá estava ele então com um dente novo na frente, e agora até sorria mostrando a dentição que antes escondia, afinal logo na frente?...e preto ainda?, dava graças a Deus porque tinha um casamento pra ir e não queria fazer feio com aquele dente horrível e sendo assim foi pra festa.
A recepção foi num clube desses que têm mesas redondas para várias pessoas e ele acabou numa mesa de 10 pessoas onde só duas o conheciam e estavam distantes dele ainda por cima.
Quando liberaram o Buffet eles correram todos para se servir e já naquela animação de quem havia tomado algumas antes, e tanto falavam e gesticulavam e se serviam que ele nem notou como foi que aconteceu....só sentiu um ventinho diferente na sua boca enquanto falava e então percebeu a falta do provisório.(portanto tome cuidado...)
Ficou vermelho, branco, rosa, imediatamente parou de falar , parou de sorrir, parou de respirar e quando tinha que falar colocava a não na boca , (fingia que estava tossindo).
- Será que eu engoli? Ou caiu por aí? E então desesperado começou a procurar em todo o lugar.
Procurou no chão olhando de longe, deu uma desculpa e se jogou debaixo da mesa, olhou minuciosamente em cima da mesa em que estava e por ultimo constatou....NÃÃÃOOOO.....só pode ter caído no Buffet... voltou correndo até a mesa do Bufett, suava em bicas, observava as pessoas se servindo, e ele já com o prato cheio de novo na fila. Rezava a pedia:
- Deus do céu, me ajude a achar a encrenca do dentinho...Senhor dos Senhores me acóde nesta hora.
As pessoas na fila falavam alto e conversavam entre si, mas ele sequer podia sorrir e muito menos conversar com alguém, mas enfim chegou á mesa e de longe reconheceu o seu dentinho....na travessa do grão de bico, ( porra eu nem peguei grão de bico,como é que essa merda foi cair lá dentro? ...pensava).
Tinha ainda 02 moças na sua frente e todo mundo se empurrava bastante, e ele ainda suando rezava então para que nenhuma delas gostasse de grão de bico e que não se servissem antes dele, mas infelizmente o absurdo aconteceu.
Uma das moças se serviu de grão de bico e ele pôde ver ela passar ao seu lado, rindo e gesticulando e falando com uma amiga, e no prato a porção de grão de bico, com uma pequena peça brilhante reluzindo, rindo e praticamente cantando...nananána !
O mundo estava ruindo, a moça sequer estava olhando para o prato e se deslocava até uma mesa dos fundos junto com sua amiga, que notou a presença dele e os olhares insistentes que estava dando e cochichavam sobre ele, mas tudo ocorreu muito rápido.
Elas chegaram a mesa e lá estava o namorado de uma delas e o namorado percebeu que ele estava perseguindo-as e então quis tirar satisfação, gesticulava apontando pra ele e derrepente levantou-se e erguendo-se acabou por derrubar alguns pratos que estavam na mesa, e claro, o prato de grão de bico também caiu e tudo que estava nele.
Ele vendo os pratos cairem, atônito colocou as mãos na cabeça e se atirou sobre tudo gritando...NÃÃÃOOO...e o namorado achando que estava sendo atacado também deu a seqüência.
Ele nem percebeu como foi o soco que levou, só sabe que ao se restabelecer a confusão estava armada, o pessoal que estava na sua mesa, mesmo na maioria não o conhecendo havia se levantado e foram também tirar satisfação e então o quebra pau estava começando a pegar fogo, gente correndo pra todo lado, mesas voando, paletós jogados, pessoal do deixa disso e então alguém o levou até o centro do quebra pau para tirar a limpo a questão sobre quem tinha começado.
Foi quando chegando ao centro (tinha a mão na boca pra esconder a janela) , o grandalhão com a mão estendida pra pedir desculpa, ele viu o seu reluzente dentinho parado praticamente na ponta do pé do valentão grandalhão , foi quando ele não pensou duas vezes e se jogou de cabeça na boca do estômago do grandalhão e caindo no chão pegando logo o seu dentinho e se escafedeu deixando uma enorme confusão atrás de sí.
Dia seguinte no dentista, com um olho roxo perguntou
- Não tem como fazer uma correntinha nele?
Pode?
Ele tinha um dente com problemas..., quando estava no Exército começou a doer e foi então atendido pelos excelentes profissionais dentistas do quartel e num instante a dor passou, assim como o ano em que prestou o serviço militar.
O problema ocorreu logo após voltar, doía e então foi a um dentista de verdade que sentenciou:
- Vamos arrancar isso porque ta tudo podre, vou colocar um provisório, portanto tome cuidado.
Feito o que tinha que ser feito lá estava ele então com um dente novo na frente, e agora até sorria mostrando a dentição que antes escondia, afinal logo na frente?...e preto ainda?, dava graças a Deus porque tinha um casamento pra ir e não queria fazer feio com aquele dente horrível e sendo assim foi pra festa.
A recepção foi num clube desses que têm mesas redondas para várias pessoas e ele acabou numa mesa de 10 pessoas onde só duas o conheciam e estavam distantes dele ainda por cima.
Quando liberaram o Buffet eles correram todos para se servir e já naquela animação de quem havia tomado algumas antes, e tanto falavam e gesticulavam e se serviam que ele nem notou como foi que aconteceu....só sentiu um ventinho diferente na sua boca enquanto falava e então percebeu a falta do provisório.(portanto tome cuidado...)
Ficou vermelho, branco, rosa, imediatamente parou de falar , parou de sorrir, parou de respirar e quando tinha que falar colocava a não na boca , (fingia que estava tossindo).
- Será que eu engoli? Ou caiu por aí? E então desesperado começou a procurar em todo o lugar.
Procurou no chão olhando de longe, deu uma desculpa e se jogou debaixo da mesa, olhou minuciosamente em cima da mesa em que estava e por ultimo constatou....NÃÃÃOOOO.....só pode ter caído no Buffet... voltou correndo até a mesa do Bufett, suava em bicas, observava as pessoas se servindo, e ele já com o prato cheio de novo na fila. Rezava a pedia:
- Deus do céu, me ajude a achar a encrenca do dentinho...Senhor dos Senhores me acóde nesta hora.
As pessoas na fila falavam alto e conversavam entre si, mas ele sequer podia sorrir e muito menos conversar com alguém, mas enfim chegou á mesa e de longe reconheceu o seu dentinho....na travessa do grão de bico, ( porra eu nem peguei grão de bico,como é que essa merda foi cair lá dentro? ...pensava).
Tinha ainda 02 moças na sua frente e todo mundo se empurrava bastante, e ele ainda suando rezava então para que nenhuma delas gostasse de grão de bico e que não se servissem antes dele, mas infelizmente o absurdo aconteceu.
Uma das moças se serviu de grão de bico e ele pôde ver ela passar ao seu lado, rindo e gesticulando e falando com uma amiga, e no prato a porção de grão de bico, com uma pequena peça brilhante reluzindo, rindo e praticamente cantando...nananána !
O mundo estava ruindo, a moça sequer estava olhando para o prato e se deslocava até uma mesa dos fundos junto com sua amiga, que notou a presença dele e os olhares insistentes que estava dando e cochichavam sobre ele, mas tudo ocorreu muito rápido.
Elas chegaram a mesa e lá estava o namorado de uma delas e o namorado percebeu que ele estava perseguindo-as e então quis tirar satisfação, gesticulava apontando pra ele e derrepente levantou-se e erguendo-se acabou por derrubar alguns pratos que estavam na mesa, e claro, o prato de grão de bico também caiu e tudo que estava nele.
Ele vendo os pratos cairem, atônito colocou as mãos na cabeça e se atirou sobre tudo gritando...NÃÃÃOOO...e o namorado achando que estava sendo atacado também deu a seqüência.
Ele nem percebeu como foi o soco que levou, só sabe que ao se restabelecer a confusão estava armada, o pessoal que estava na sua mesa, mesmo na maioria não o conhecendo havia se levantado e foram também tirar satisfação e então o quebra pau estava começando a pegar fogo, gente correndo pra todo lado, mesas voando, paletós jogados, pessoal do deixa disso e então alguém o levou até o centro do quebra pau para tirar a limpo a questão sobre quem tinha começado.
Foi quando chegando ao centro (tinha a mão na boca pra esconder a janela) , o grandalhão com a mão estendida pra pedir desculpa, ele viu o seu reluzente dentinho parado praticamente na ponta do pé do valentão grandalhão , foi quando ele não pensou duas vezes e se jogou de cabeça na boca do estômago do grandalhão e caindo no chão pegando logo o seu dentinho e se escafedeu deixando uma enorme confusão atrás de sí.
Dia seguinte no dentista, com um olho roxo perguntou
- Não tem como fazer uma correntinha nele?
Pode?
sexta-feira, 20 de março de 2009
26 Cheinho.
Cheinho
Ela vivia me chamando para ir até a casa dela me apresentar a seu Pai, dizia que estava difícil a gente namorar sem consentimento dele e tre le le...então eu fui, mas já sabia que não ia dar certo e dito e feito, o homem que tinha uns 80 anos realmente não foi com a minha cara, acho que ele era meio preconceituoso sei lá.
Eu tentava fazer tudo certinho e conquistar o velho, comecei inclusive a tomar chimarrão só pra ficar mais próximo, mas estava difícil, ele ficava arredio, desconversava, saía de mansinho e só reaparecia depois que avisavam que eu tinha ido embora.
Só me dava atenção quando eu perguntava sobre coisas do passado histórico da cidade, pessoas ilustres de antigamente e então ele desatava a falar dos tempos idos, das pessoas, dos lugares, dos políticos e então, depois de achar o fio da meada eu dava trela.
Eu era sócio de um clube aqui em Curitiba ( não vou falar o nome) e um dia alegando que lá encontraríamos amigos do seu passado , coloquei o homem no meu carro e o levei comigo até o clube e como ele tinha dificuldade para andar eu o apoiava com o braço. Infelizmente naquele dia não haviam muito velhos perambulando por lá, mas fizemos um passeio e pouco antes de irmos embora paramos no bar do clube ( ao ar livre) ele tomando um refrigerante e eu uma cerveja, foi quando ele perguntou:
- Você sabe se tem um banheiro aqui por perto? ( já se levantando)
- Tem sim é logo ali (disse eu, apontando )
- Tão longe ?
- É o único amigo, mas eu te ajudo, vamos lá! ( e amparei o homem)
- Ta bom.
Já quase na porta do banheiro ele parou e me olhando fixamente nos olhos disse: -
- Foi longe demais!
- Como ? ( eu não entendi nada)
- Foi longe demais, eu to cheinho...vamos mais devagar que é pra não escorrer pela calça!
- Como?
- Eu me caguêi sua Anta.., vamos devagar que é pra mérda não cair e escorrer pela minha perna – Carralho!. (estava enfezado, vermelho e gritava comigo)
Eu não agüentei, juro que tentei, tive até uma dor no peito por querer segurar,meus olhos começaram a lacrimejar e tive que soltar o homem e cair num acesso de gargalhada, e ele parado lá...me olhando incrédulo dizendo:
- Você realmente é um mérda ! (me apontando com dedo em risque)
- Você que se cága todo e eu é que sou um mérda ? ( eu estava me contorcendo de rir)
- É um bósta e não serve pra minha filha...seu porqueira! ( parado movendo só os braços...)
- Desculpe amigo, mas é engraçado , não é por maldade.....quá...quá quá....
- Se não me levar agora ao banheiro seu carro é que vai ficar engraçado ...(gesticulando)
Enfim eu levei o homem ao banheiro, mas fiquei do lado de fora...o cheiro era horrível e a minha crise de riso estava se transformando em crise nervosa só de pensar que EU deveria levar ele de carro de volta pra casa...ou então chamar um táxi...(aí eu não agüentava e voltava a rir novamente da situação)...foi quando ele apareceu na porta do banheiro só com a cabeça pra fora e disse.
_Traga uma sacola de plástico para eu colocar minha cueca que vou levar pra minha esposa lavar !
Aí eu não agüentei e me mijei todo de rir da cara do homem, e ele gritava:
- Seu Caspita...me dê logo a sacola.....sua Anta!...Animal !
Aquele namoro durou pouco mesmo.
Pode?
Ela vivia me chamando para ir até a casa dela me apresentar a seu Pai, dizia que estava difícil a gente namorar sem consentimento dele e tre le le...então eu fui, mas já sabia que não ia dar certo e dito e feito, o homem que tinha uns 80 anos realmente não foi com a minha cara, acho que ele era meio preconceituoso sei lá.
Eu tentava fazer tudo certinho e conquistar o velho, comecei inclusive a tomar chimarrão só pra ficar mais próximo, mas estava difícil, ele ficava arredio, desconversava, saía de mansinho e só reaparecia depois que avisavam que eu tinha ido embora.
Só me dava atenção quando eu perguntava sobre coisas do passado histórico da cidade, pessoas ilustres de antigamente e então ele desatava a falar dos tempos idos, das pessoas, dos lugares, dos políticos e então, depois de achar o fio da meada eu dava trela.
Eu era sócio de um clube aqui em Curitiba ( não vou falar o nome) e um dia alegando que lá encontraríamos amigos do seu passado , coloquei o homem no meu carro e o levei comigo até o clube e como ele tinha dificuldade para andar eu o apoiava com o braço. Infelizmente naquele dia não haviam muito velhos perambulando por lá, mas fizemos um passeio e pouco antes de irmos embora paramos no bar do clube ( ao ar livre) ele tomando um refrigerante e eu uma cerveja, foi quando ele perguntou:
- Você sabe se tem um banheiro aqui por perto? ( já se levantando)
- Tem sim é logo ali (disse eu, apontando )
- Tão longe ?
- É o único amigo, mas eu te ajudo, vamos lá! ( e amparei o homem)
- Ta bom.
Já quase na porta do banheiro ele parou e me olhando fixamente nos olhos disse: -
- Foi longe demais!
- Como ? ( eu não entendi nada)
- Foi longe demais, eu to cheinho...vamos mais devagar que é pra não escorrer pela calça!
- Como?
- Eu me caguêi sua Anta.., vamos devagar que é pra mérda não cair e escorrer pela minha perna – Carralho!. (estava enfezado, vermelho e gritava comigo)
Eu não agüentei, juro que tentei, tive até uma dor no peito por querer segurar,meus olhos começaram a lacrimejar e tive que soltar o homem e cair num acesso de gargalhada, e ele parado lá...me olhando incrédulo dizendo:
- Você realmente é um mérda ! (me apontando com dedo em risque)
- Você que se cága todo e eu é que sou um mérda ? ( eu estava me contorcendo de rir)
- É um bósta e não serve pra minha filha...seu porqueira! ( parado movendo só os braços...)
- Desculpe amigo, mas é engraçado , não é por maldade.....quá...quá quá....
- Se não me levar agora ao banheiro seu carro é que vai ficar engraçado ...(gesticulando)
Enfim eu levei o homem ao banheiro, mas fiquei do lado de fora...o cheiro era horrível e a minha crise de riso estava se transformando em crise nervosa só de pensar que EU deveria levar ele de carro de volta pra casa...ou então chamar um táxi...(aí eu não agüentava e voltava a rir novamente da situação)...foi quando ele apareceu na porta do banheiro só com a cabeça pra fora e disse.
_Traga uma sacola de plástico para eu colocar minha cueca que vou levar pra minha esposa lavar !
Aí eu não agüentei e me mijei todo de rir da cara do homem, e ele gritava:
- Seu Caspita...me dê logo a sacola.....sua Anta!...Animal !
Aquele namoro durou pouco mesmo.
Pode?
quinta-feira, 19 de março de 2009
25 Direitos Reservados
Direitos Reservados.
Não entendo muito bem o que sejam os tais Direitos Reservados. As vezes me parece que sejam os direitos que foram reservados para as pessoas que chegaram antes, tipo em Restaurantes..., quando alguém chega antes e então colocam aquela plaquinha “ Reservado”., ou então quando a gente quer ir ao banheiro e pergunta- Poderia informar onde fica o reservado?
Por outro lado poderia ser até alguns direitos que reservaram para a pessoa, tipo: Direito de ir ao Reservado, e portanto quem chegar antes deverá aguardar até que o direito esteja novamente em disponibilidade de reserva. Pode também ser aquele direito que está reservado por alguma pessoa ( tipo aquela que chegou antes) e pediu: Voltarei mais tarde, mas deixe o banheiro reservado pra mim entre as 20 e 24 horas, que irei utilizar...
Ou será que o banheiro do lado “Direito” esteja reservado e que deveremos utilizar somente o esquerdo?...nunca ví nenhuma plaquinha dizendo : “Esquerdo” Reservado ( ou seria Sinistro reservado?), e nem o “Meio” Reservado...enfim, nunca reservaram um direito ou mesmo esquerdo pra mim, afinal quando preciso usar, sempre tem alguém que chegou antes e está ocupado.
E se não ocorrer reserva ?, é possível somente ocupar?...tipo: Direito Ocupado...acho que também nunca vi uma plaquinha dizendo Direito Ocupado, mas já vi banheiro ocupado. Enfim, muitas vezes parece que no Brasil, algumas pessoas reservaram o direito pra si mesmas, têm direito a tudo, fórum especial, cela especial, liberdade especial, banheiro especial.....realmente não sei bem o que seria Direito Reservado.
É um tal de Fórum privilegiado pra cá – Segredo de Justiça pra lá – Lugar reservado para idosos, Gestantes, Deficientes, Portadores de necessidades especiais, Mulheres com crianças de colo, integrantes do movimento dos Sem teto, crianças em fase de adoção, pessoas beneficiadas pela delação premiada e por aí vai.
Realmente não entendo, á pouco premiada seria apenas a telesena ou a raspadinha, e portadores de necessidades especiais seriam aqueles que por exemplo não podem comer coisas com lactose ou glutem.
Neste país parece que as coisas ou os direitos se invertem, se você mora em uma casa e ela é invadida, voce se esgoela e grita SOCOOOOORRRO.....SOCOOOOOORRRO e vai correndo até a polícia e reclama da invasão e apanha um pouco até provar que focinho de porco não é tomada e então a casa é invadida novamente, porem desta feita por policiais que colocam os invasores ( os primeiros) pra correr.
Porem se estes invasores forem pessoas com bonés e camisetas vermelhas e nestes estiver escrito MST pronto...não tem jeito, você deverá entrar na justiça e pedir Reintegração de Posse, depois deverá tentar fazer com que este pedido de reintegração de posse seja aceito pelo Juiz, que deverá autorizar a que o Delegado mande policiais até a sua casa, não sem antes o Delegado conseguir um Advogado especialista em Direitos Humanos para fazer o acompanhamento, e o Advogado então também conseguir um Cinegrafista Profissional e devidamente inscrito como perito do Instituto Médico Legal para fazer o registro áudio visual da reintegração de posse que comprove que novamente os Direitos foram reservados.
Realmente torno a dizer, não entendo o que sejam realmente os tais Direitos reservados.
Pode?
Não entendo muito bem o que sejam os tais Direitos Reservados. As vezes me parece que sejam os direitos que foram reservados para as pessoas que chegaram antes, tipo em Restaurantes..., quando alguém chega antes e então colocam aquela plaquinha “ Reservado”., ou então quando a gente quer ir ao banheiro e pergunta- Poderia informar onde fica o reservado?
Por outro lado poderia ser até alguns direitos que reservaram para a pessoa, tipo: Direito de ir ao Reservado, e portanto quem chegar antes deverá aguardar até que o direito esteja novamente em disponibilidade de reserva. Pode também ser aquele direito que está reservado por alguma pessoa ( tipo aquela que chegou antes) e pediu: Voltarei mais tarde, mas deixe o banheiro reservado pra mim entre as 20 e 24 horas, que irei utilizar...
Ou será que o banheiro do lado “Direito” esteja reservado e que deveremos utilizar somente o esquerdo?...nunca ví nenhuma plaquinha dizendo : “Esquerdo” Reservado ( ou seria Sinistro reservado?), e nem o “Meio” Reservado...enfim, nunca reservaram um direito ou mesmo esquerdo pra mim, afinal quando preciso usar, sempre tem alguém que chegou antes e está ocupado.
E se não ocorrer reserva ?, é possível somente ocupar?...tipo: Direito Ocupado...acho que também nunca vi uma plaquinha dizendo Direito Ocupado, mas já vi banheiro ocupado. Enfim, muitas vezes parece que no Brasil, algumas pessoas reservaram o direito pra si mesmas, têm direito a tudo, fórum especial, cela especial, liberdade especial, banheiro especial.....realmente não sei bem o que seria Direito Reservado.
É um tal de Fórum privilegiado pra cá – Segredo de Justiça pra lá – Lugar reservado para idosos, Gestantes, Deficientes, Portadores de necessidades especiais, Mulheres com crianças de colo, integrantes do movimento dos Sem teto, crianças em fase de adoção, pessoas beneficiadas pela delação premiada e por aí vai.
Realmente não entendo, á pouco premiada seria apenas a telesena ou a raspadinha, e portadores de necessidades especiais seriam aqueles que por exemplo não podem comer coisas com lactose ou glutem.
Neste país parece que as coisas ou os direitos se invertem, se você mora em uma casa e ela é invadida, voce se esgoela e grita SOCOOOOORRRO.....SOCOOOOOORRRO e vai correndo até a polícia e reclama da invasão e apanha um pouco até provar que focinho de porco não é tomada e então a casa é invadida novamente, porem desta feita por policiais que colocam os invasores ( os primeiros) pra correr.
Porem se estes invasores forem pessoas com bonés e camisetas vermelhas e nestes estiver escrito MST pronto...não tem jeito, você deverá entrar na justiça e pedir Reintegração de Posse, depois deverá tentar fazer com que este pedido de reintegração de posse seja aceito pelo Juiz, que deverá autorizar a que o Delegado mande policiais até a sua casa, não sem antes o Delegado conseguir um Advogado especialista em Direitos Humanos para fazer o acompanhamento, e o Advogado então também conseguir um Cinegrafista Profissional e devidamente inscrito como perito do Instituto Médico Legal para fazer o registro áudio visual da reintegração de posse que comprove que novamente os Direitos foram reservados.
Realmente torno a dizer, não entendo o que sejam realmente os tais Direitos reservados.
Pode?
sexta-feira, 6 de março de 2009
24 Injeção.
Injeção.
- Mais forte do que as armas científicas atuais...supera o impossível..., domina o mundo da quarta dimensão e luta pela paz e pela justiça...Nacionarooooo Roooodolpho...ZAZZZ!
E assim, eu devidamente trajado com capa feita de toalha de banho e equipado com meu pára-quedas especial de guarda chuva, me joguei de cima do telhado da cozinha e caí em cima de um arvoredo que minha mãe tentava fazer crescer, mas que não contava com a minha ajuda , restando escoriações causadas pelos galhos da arvorezinha, um ferimento de 6 pontos na perna, causado por uma cerquinha que protegia a arvorezinha e uma bunda dolorida causada pela incompreensão de minha mãe.
- Seremos todos transformers., faremos do mundo um Claybom Cremoso, nada poderá nos deter, nem a chuva, nem o frio, nem o cansaço nem o sono!
Eu passava os dias e tardes nestas batalhas imaginárias, ou em escavações que fazia por todo o quintal á procura de um poço de petróleo ou de uma jazida de diamantes ou ainda então , quando estava com meus amiguinhos pegava quase todas as facas da cozinha de casa e municiava a minha tropa que integrava meu batalhão de expedição de desbravadores pelo mundo perdido dos Bandeirantes Guaporés.
Acompanhado também de meu fiel escudeiro Silver (meu cão Bob) e empunhando a minha espada de Liga da Justiça Estelar, bradava: Tander...Tander...Tander...Ohhhhh, e da-lhe surra no pé de banana: Pithhhhhh com minha pistola de raio laser...Pou...Pou...Pou nos bandidos assaltantes de carruagem dos dinheiros da rainha da inglaterra e de outras nações amigas.
Fazia aros ou amarrava latas e saia por aí a correr conduzindo minhas rodinhas ou pneus fazendo alvoroço: RRRRRRR.....RRRRRRR.....FRIIIIIIII ( nas curvas), subia nas arvores como macaco e no mato eu era o Jim das Selvas , á menos que estivesse empunhando um arco e flechas feito com o que restou de algum guarda-chuvas, ou ainda assoprando bolinhas colhidas de algumas arvores usando pedaços da antena de televisão como canudo para atirar o dardo fatal.( a minha mãe me cobrou as antenas até os meus 40 anos).
Maria mole no cone de casquinha que escondia algum brinquedo ou bechiga, doce de abóbora em formato de coração e o Pedro Bó ? quem não lembra dele? Suspiro cor de rosa com bolinhas coloridas enfeitando, paçoca farelenta que virava um nada na mão da gente, doce de leite com duas cores, uma era doce de leite e a outra, alguma coisa também parecida com ele...uma delícia.
Quebra queixo tirado com martelo, piruá do carrinho, raspadinha de menta, algodão feito na hora naquela máquina esquisita que eu ficava horas tentando decifrar como aquilo acontecia ( ainda hoje fico pasmo), manga verde com sal, roubar jabuticaba na associação médica...
Com o tempo passando comecei a mandar correio elegante para a amiga com quem vim até a quermesse só pra ter o que ficar falando com ela, sobre a curiosidade dela em saber quem havia feito aquilo, segurar na mão pra atravessar a rua e esquecer de soltar bem depois de haver atravessado, até as mãos ficarem úmidas de suor e quentes de paixão.
Tudo isso foi legal, mas injeção eu detestei.
Pode?
- Mais forte do que as armas científicas atuais...supera o impossível..., domina o mundo da quarta dimensão e luta pela paz e pela justiça...Nacionarooooo Roooodolpho...ZAZZZ!
E assim, eu devidamente trajado com capa feita de toalha de banho e equipado com meu pára-quedas especial de guarda chuva, me joguei de cima do telhado da cozinha e caí em cima de um arvoredo que minha mãe tentava fazer crescer, mas que não contava com a minha ajuda , restando escoriações causadas pelos galhos da arvorezinha, um ferimento de 6 pontos na perna, causado por uma cerquinha que protegia a arvorezinha e uma bunda dolorida causada pela incompreensão de minha mãe.
- Seremos todos transformers., faremos do mundo um Claybom Cremoso, nada poderá nos deter, nem a chuva, nem o frio, nem o cansaço nem o sono!
Eu passava os dias e tardes nestas batalhas imaginárias, ou em escavações que fazia por todo o quintal á procura de um poço de petróleo ou de uma jazida de diamantes ou ainda então , quando estava com meus amiguinhos pegava quase todas as facas da cozinha de casa e municiava a minha tropa que integrava meu batalhão de expedição de desbravadores pelo mundo perdido dos Bandeirantes Guaporés.
Acompanhado também de meu fiel escudeiro Silver (meu cão Bob) e empunhando a minha espada de Liga da Justiça Estelar, bradava: Tander...Tander...Tander...Ohhhhh, e da-lhe surra no pé de banana: Pithhhhhh com minha pistola de raio laser...Pou...Pou...Pou nos bandidos assaltantes de carruagem dos dinheiros da rainha da inglaterra e de outras nações amigas.
Fazia aros ou amarrava latas e saia por aí a correr conduzindo minhas rodinhas ou pneus fazendo alvoroço: RRRRRRR.....RRRRRRR.....FRIIIIIIII ( nas curvas), subia nas arvores como macaco e no mato eu era o Jim das Selvas , á menos que estivesse empunhando um arco e flechas feito com o que restou de algum guarda-chuvas, ou ainda assoprando bolinhas colhidas de algumas arvores usando pedaços da antena de televisão como canudo para atirar o dardo fatal.( a minha mãe me cobrou as antenas até os meus 40 anos).
Maria mole no cone de casquinha que escondia algum brinquedo ou bechiga, doce de abóbora em formato de coração e o Pedro Bó ? quem não lembra dele? Suspiro cor de rosa com bolinhas coloridas enfeitando, paçoca farelenta que virava um nada na mão da gente, doce de leite com duas cores, uma era doce de leite e a outra, alguma coisa também parecida com ele...uma delícia.
Quebra queixo tirado com martelo, piruá do carrinho, raspadinha de menta, algodão feito na hora naquela máquina esquisita que eu ficava horas tentando decifrar como aquilo acontecia ( ainda hoje fico pasmo), manga verde com sal, roubar jabuticaba na associação médica...
Com o tempo passando comecei a mandar correio elegante para a amiga com quem vim até a quermesse só pra ter o que ficar falando com ela, sobre a curiosidade dela em saber quem havia feito aquilo, segurar na mão pra atravessar a rua e esquecer de soltar bem depois de haver atravessado, até as mãos ficarem úmidas de suor e quentes de paixão.
Tudo isso foi legal, mas injeção eu detestei.
Pode?
quarta-feira, 4 de março de 2009
23 Boa hora.
Boa hora.
Somente aqueles que têm irmã é que saberão avaliar o que estou contando, afinal, somos todos (aqueles que têm irmã), sofredores, abnegados e porque não dizer, vítimas silenciosas das agruras e vicissitudes porque temos de passar nas garras destes seres cruéis.
Eu não podia fazer nada e nem precisava fazer algo para que a culpa fosse minha e recebesse cascudos , beliscões, puxão de orelha, safanão, tapa, pontapé, chinelada e muita surra...afinal eram outros tempos e isso era normal e até corriqueiro.
- Oi amiga tudo bem ?
- Oi tudo bem amiga, só a minha mão que anda doendo um pouco...
- Já sei..., deve ter machucado batendo no seu filho!
- Como é que sabe ?.
- Eu também sofro como você...Vô ti contá... tirei meu gesso ontem ( e mostrava o braço) , não é que o ladino do meu filho se desviou e eu bati meu braço na pia e quebrei em dois lugares?...mas não se preocupe não, ainda consegui bater nele com a minha esquerda.
- Olha, ser mãe realmente não é fácil amiga.
A disgranhenta da minha irmã usava tudo, era só me olhar a já gritava : Mãe o Rodolpho ta me batendo !, se queria algo e eu não dava : Mãe o Rodolpho tá me batendo !, se eu estava com o pé na mesinha da sala: Mãe o Rodolpho tá...!, – se o pão dela caia ou se ela estava aborrecida por qualquer coisa: Mãe o Rodolpho tá...!
De forma imediata e sem nem olhar para os lados dá-lhe cascudo no menino, joga tamanco no moleque, tasca-lhe vassourada no infame., tudo porque a lindinha, a queridinha da mamãe, o bilú tetéia da vóvó, a megera aos olhos do sofrido irmão, estava dizendo que havia sido amuada pelo ladino, o mal criado, o peste o malvado EU.
Assim, o tempo foi passando, crianças crescendo, personalidades se amoldando,formação de caráter etc, mas algumas coisas teimavam em não mudar, a minha mãe e sua dureza no trato com os filhos e a malevolência infinita da minha irmã, mas um dia...
Eu já trabalhava no Banco perto da nossa casa e almoçava em casa todos os dias e minha irmã não fazia nada (claro), estudava( pura obrigação) ajudava na limpeza e ficava ao telefone com as amigas o dia todo.(tambem óbvio).
A Minha mãe tinha um xodó (fora a minha irmã) ...um carrinho de bebidas onde ela colocava de tudo mas principalmente Taçinhas de Cristal, (ela dizia que era pra ser usado em momentos especiais, mas já a 10 anos que estavam por lá), ele ficava entronizado na sala ( só faltava ficar bem no meio tipo uma fonte), tinha umas toalhinhas, pegadores metálicos, baldinho de gelo de prata e um monte de frufru, eu nem passava perto dele (gato escaldado tem medo de água fria).
Um dia logo após o almoço, minha mãe tinha saído e minha irmã estava passando aspirador na sala quando acidentalmente ela esbarrou no dito carrinho de bebidas.(o xodó)...quebrou uma das perninhas dele.(o xodó)...ele pendeu pra um lado e lentamente derramou todas as tacinhas de cristal... todos os penduricalhos...(o xodó), o baldinho de gelo, pegadores e até as bebidas foram ao chão fazendo o maior estardalhaço.
Eu saí da cozinha e fui pra sala ver o que havia ocorrido e lá estava a minha irmã (coitada)...Branca...Translúcida...quase uma holografia...com as duas mãos na cabeça....literalmente desesperada olhando o que ela tinha feito... ela não conseguia falar ou se mover, acho que estava até catatônica, estarrecida, em coma ( cá entre nós uma graça).
EU, percebendo tratar-se de uma situação especial e vendo minha irmã naquela situação difícil, tentei ajudar e reavaliar as coisas...passei por ela e peguei uma das taçinhas ( ou pelo menos o que havia restado dela), a taçinha estava até inteira...só a parte de baixo é que havia quebrado (o pezinho) , peguei a taçinha e ergui bem alto...minha irmã me olhava com lágrimas nos olhos e tremendo, tentando acalmá-la foi que eu disse.
- Não se preocupe, eu nem vou voltar a trabalhar agora a tarde...
Minha irmã chorando e balançando com a cabeça de forma afirmativa.
- Eu ficarei aqui mesmo esperando a mãe chegar junto com você.
Ela olhando para mim com os olhos marejados mexendo a cabeça positivamente.
- Não vou sair do seu lado, aconteça o que acontecer....
- Eu.....eu....(ela balbuciava), quebrei sem querer!
- Eu sei...eu sei...Claro que foi, não se preocupe ( e abracei ela).
- Quebrou uma das rodinhas e então caiu tudo....(chorando no meu ombro).
- Calma... calma, vai tudo ficar bem, não se preocupe, eu ficarei com você até o ultimo momento.
- hãããã???.
- Sim minha irmã...chegou a sua Boa hora (fazendo o sinal da cruz)...Hoje, a Mãe vai te matar,(ela me olhando atônita), ainda bem que eu não estou na sua pele,fique tranquila, eu vou fechar os seus olhos...onde quer que eu jogue as suas cinzas?
Hehe!
Pode ?
Somente aqueles que têm irmã é que saberão avaliar o que estou contando, afinal, somos todos (aqueles que têm irmã), sofredores, abnegados e porque não dizer, vítimas silenciosas das agruras e vicissitudes porque temos de passar nas garras destes seres cruéis.
Eu não podia fazer nada e nem precisava fazer algo para que a culpa fosse minha e recebesse cascudos , beliscões, puxão de orelha, safanão, tapa, pontapé, chinelada e muita surra...afinal eram outros tempos e isso era normal e até corriqueiro.
- Oi amiga tudo bem ?
- Oi tudo bem amiga, só a minha mão que anda doendo um pouco...
- Já sei..., deve ter machucado batendo no seu filho!
- Como é que sabe ?.
- Eu também sofro como você...Vô ti contá... tirei meu gesso ontem ( e mostrava o braço) , não é que o ladino do meu filho se desviou e eu bati meu braço na pia e quebrei em dois lugares?...mas não se preocupe não, ainda consegui bater nele com a minha esquerda.
- Olha, ser mãe realmente não é fácil amiga.
A disgranhenta da minha irmã usava tudo, era só me olhar a já gritava : Mãe o Rodolpho ta me batendo !, se queria algo e eu não dava : Mãe o Rodolpho tá me batendo !, se eu estava com o pé na mesinha da sala: Mãe o Rodolpho tá...!, – se o pão dela caia ou se ela estava aborrecida por qualquer coisa: Mãe o Rodolpho tá...!
De forma imediata e sem nem olhar para os lados dá-lhe cascudo no menino, joga tamanco no moleque, tasca-lhe vassourada no infame., tudo porque a lindinha, a queridinha da mamãe, o bilú tetéia da vóvó, a megera aos olhos do sofrido irmão, estava dizendo que havia sido amuada pelo ladino, o mal criado, o peste o malvado EU.
Assim, o tempo foi passando, crianças crescendo, personalidades se amoldando,formação de caráter etc, mas algumas coisas teimavam em não mudar, a minha mãe e sua dureza no trato com os filhos e a malevolência infinita da minha irmã, mas um dia...
Eu já trabalhava no Banco perto da nossa casa e almoçava em casa todos os dias e minha irmã não fazia nada (claro), estudava( pura obrigação) ajudava na limpeza e ficava ao telefone com as amigas o dia todo.(tambem óbvio).
A Minha mãe tinha um xodó (fora a minha irmã) ...um carrinho de bebidas onde ela colocava de tudo mas principalmente Taçinhas de Cristal, (ela dizia que era pra ser usado em momentos especiais, mas já a 10 anos que estavam por lá), ele ficava entronizado na sala ( só faltava ficar bem no meio tipo uma fonte), tinha umas toalhinhas, pegadores metálicos, baldinho de gelo de prata e um monte de frufru, eu nem passava perto dele (gato escaldado tem medo de água fria).
Um dia logo após o almoço, minha mãe tinha saído e minha irmã estava passando aspirador na sala quando acidentalmente ela esbarrou no dito carrinho de bebidas.(o xodó)...quebrou uma das perninhas dele.(o xodó)...ele pendeu pra um lado e lentamente derramou todas as tacinhas de cristal... todos os penduricalhos...(o xodó), o baldinho de gelo, pegadores e até as bebidas foram ao chão fazendo o maior estardalhaço.
Eu saí da cozinha e fui pra sala ver o que havia ocorrido e lá estava a minha irmã (coitada)...Branca...Translúcida...quase uma holografia...com as duas mãos na cabeça....literalmente desesperada olhando o que ela tinha feito... ela não conseguia falar ou se mover, acho que estava até catatônica, estarrecida, em coma ( cá entre nós uma graça).
EU, percebendo tratar-se de uma situação especial e vendo minha irmã naquela situação difícil, tentei ajudar e reavaliar as coisas...passei por ela e peguei uma das taçinhas ( ou pelo menos o que havia restado dela), a taçinha estava até inteira...só a parte de baixo é que havia quebrado (o pezinho) , peguei a taçinha e ergui bem alto...minha irmã me olhava com lágrimas nos olhos e tremendo, tentando acalmá-la foi que eu disse.
- Não se preocupe, eu nem vou voltar a trabalhar agora a tarde...
Minha irmã chorando e balançando com a cabeça de forma afirmativa.
- Eu ficarei aqui mesmo esperando a mãe chegar junto com você.
Ela olhando para mim com os olhos marejados mexendo a cabeça positivamente.
- Não vou sair do seu lado, aconteça o que acontecer....
- Eu.....eu....(ela balbuciava), quebrei sem querer!
- Eu sei...eu sei...Claro que foi, não se preocupe ( e abracei ela).
- Quebrou uma das rodinhas e então caiu tudo....(chorando no meu ombro).
- Calma... calma, vai tudo ficar bem, não se preocupe, eu ficarei com você até o ultimo momento.
- hãããã???.
- Sim minha irmã...chegou a sua Boa hora (fazendo o sinal da cruz)...Hoje, a Mãe vai te matar,(ela me olhando atônita), ainda bem que eu não estou na sua pele,fique tranquila, eu vou fechar os seus olhos...onde quer que eu jogue as suas cinzas?
Hehe!
Pode ?
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